STF determina e Câmara bloqueia salário e cota parlamentar de Ramagem, condenado por trama golpista

Após ordem de Alexandre de Moraes para execução imediata da pena de 16 anos, o deputado bolsonarista Alexandre Ramagem teve o salário de R$ 46,3 mil suspenso. A Câmara, porém, ainda não decidiu sobre a cassação do mandato.
Alexandre Ramagem - © Valter Campanato/Agência Brasil
Alexandre Ramagem - © Valter Campanato/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

A Câmara dos Deputados bloqueou o salário do deputado federal bolsonarista Alexandre Ramagem (PL-RJ), cumprindo determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão do ministro foi tomada na semana passada, quando o STF encerrou a fase de recursos e ordenou a execução imediata da pena de 16 anos de prisão imposta ao parlamentar pela participação na trama golpista de 8 de janeiro.

Ramagem, que é considerado foragido pela Justiça brasileira, deixou o país antes do fim do julgamento e está nos Estados Unidos desde setembro.

💰 Bloqueio de Salário e Cota Parlamentar

O salário de Ramagem, atualmente em R$ 46,3 mil, foi suspenso. De forma similar ao que ocorreu com outros condenados que deixaram o país, como Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, o deputado também teve o acesso à sua cota parlamentar bloqueado.

No entanto, seus gabinetes seguem em funcionamento, com equipes ativas e as despesas administrativas mantidas, enquanto a definição sobre o mandato não é tomada pela Casa.

🏛️ Câmara em Silêncio sobre a Cassação

Ao confirmar a condenação, a Primeira Turma do STF determinou que a Câmara declarasse a vacância do mandato de imediato. O Supremo baseou-se no entendimento de que o cumprimento da pena em regime fechado, superior a quatro anos, inviabiliza a presença em plenário e gera faltas previstas na Constituição. Para o STF, a cassação, neste caso, é vista como um ato formal.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, informou na semana passada que consultaria o setor jurídico antes de decidir como proceder em relação à ordem judicial. Desde então, a Mesa Diretora não divulgou posicionamento oficial e o tema segue sem deliberação pública.

Enquanto isso, dirigentes do PL articulam nos bastidores para que o caso Ramagem siga o mesmo rito aplicado à deputada Carla Zambelli. A parlamentar, detida na Itália, tem sua cassação analisada atualmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sem prazo para votação final no plenário.


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