JOGO DE PODER

Alcolumbre cancela sabatina de Messias

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, suspendeu a análise de Jorge Messias e acusou o Executivo de interferência. O senador defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga.
Davi Alcolumbre
Davi Alcolumbre
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou nesta terça-feira (2 de dezembro) o cancelamento da sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias. Messias foi o nome escolhido pelo presidente Lula para suceder Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF).

A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e a subsequente votação em plenário estavam agendadas para o dia 10 de dezembro. Contudo, o Governo Lula não enviou a mensagem formal que protocoliza a indicação à Casa, impossibilitando o andamento do processo.

Alcolumbre: “Omissão grave e sem precedentes”

Em comunicado aos senadores, Alcolumbre classificou a ausência do documento formal como “grave e sem precedentes”, acusando o Executivo de interferência no cronograma estabelecido pelo Legislativo.

“Após a definição das datas pelo Legislativo, o Senado foi surpreendido com a ausência do envio da mensagem escrita referente à indicação, já publicada no Diário Oficial da União e amplamente anunciada. Essa omissão, de responsabilidade exclusiva do Poder Executivo, é grave e sem precedentes”, declarou o senador do Amapá.

A falta de envio da mensagem teria como objetivo dar mais tempo para Messias realizar reuniões e articular apoios com os senadores.

O xadrez político e o contraponto do governo

Desde que Barroso antecipou sua aposentadoria no STF, Davi Alcolumbre articulou e defendeu a indicação de seu aliado, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). No entanto, Lula optou por Jorge Messias, que tem longa trajetória em governos petistas e é advogado-geral da União desde 2023.

Em resposta às críticas, o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, negou qualquer má-fé do Executivo. “Não tem nenhuma intenção de o Executivo burlar qualquer coisa”, afirmou Palmeira minutos após o anúncio de Alcolumbre.

Precedente: a demora na sabatina de Mendonça

A atitude de Alcolumbre ocorre em um contexto histórico em que o próprio senador já foi criticado por atrasar sabatinas.

Em 2021, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) indicou André Mendonça para o Supremo, Alcolumbre — que na época presidia a CCJ e defendia outro nome, o de Augusto Aras — levou 142 dias para marcar a análise.

Mendonça detém o recorde de maior tempo de espera, quase cinco meses, entre a indicação presidencial e a aprovação final pelo Senado desde a Constituição de 1988.

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