Punições Seletivas

O despreparado Hugo Motta, que nada fez no motim bolsonarista, diz que Glauber Braga “desrespeita a Câmara”

Presidente da Câmara classifica protesto como ato extremista, após retirada forçada do parlamentar pela Polícia Legislativa e agressões a jornalistas no plenário.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) • Bruno Spada/Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) • Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (9) que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) “desrespeita a própria Câmara dos Deputados e o Poder Legislativo” ao ocupar a cadeira da Presidência durante sessão no plenário.

A declaração ocorre poucas horas após Braga ser retirado à força do local por agentes da Polícia Legislativa, em uma ação marcada por agressões físicas também contra jornalistas e pela interrupção da transmissão da TV Câmara.

A ocupação da cadeira durou pouco mais de duas horas e foi um protesto contra a decisão de Motta de pautar para esta quarta-feira (10) a votação do processo que pode levar à cassação do mandato de Braga. O parlamentar se recusou a deixar o local e acabou sendo removido à força, com o terno rasgado, em meio a tumulto generalizado.



Agressão no plenário e censura à transmissão

Durante a retirada de Glauber Braga, agentes da Polícia Legislativa avançaram sobre o deputado e sobre profissionais da imprensa que acompanhavam o protesto. Jornalistas foram empurrados e agredidos, enquanto a TV Câmara interrompeu abruptamente a transmissão ao vivo, impedindo que o público acompanhasse o que ocorria no plenário.

Após deixar o local, Braga afirmou:

“Eu quero me solidarizar com a imprensa também que foi agredida e teve seu trabalho cerceado. Até hoje, eu nunca tinha ouvido falar de cortarem o sinal da TV Câmara para que as pessoas não acompanhassem o que estava acontecendo dentro do plenário.”

Críticas diretas a Motta

O deputado do PSOL também comparou o tratamento recebido com episódios anteriores envolvendo parlamentares bolsonaristas:

“A única coisa que eu pedi ao presidente da Câmara foi que tivesse 1% do tratamento que teve com aqueles que sequestraram a Mesa Diretora por dois dias, em associação com um deputado que está nos Estados Unidos conspirando contra o nosso país.”

Nota de Hugo Motta

Em publicação oficial, Hugo Motta afirmou que determinou a apuração de possíveis excessos na atuação da Polícia Legislativa contra jornalistas, mas manteve o tom crítico em relação ao protesto de Braga. Eis um trecho da declaração:

“Quando o deputado Glauber Braga ocupa a cadeira da Presidência da Câmara para impedir o andamento dos trabalhos, ele não desrespeita o presidente em exercício. Ele desrespeita a própria Câmara dos Deputados e o Poder Legislativo.”

Motta também classificou a atitude como reincidente e associou o protesto a práticas extremistas:

“O agrupamento que se diz defensor da democracia, mas agride o funcionamento das instituições, vive da mesma lógica dos extremistas que tanto critica. O extremismo não tem lado.”

Contradição exposta

As declarações do presidente da Câmara ocorrem em meio a fortes críticas de entidades jornalísticas e parlamentares da oposição, que veem na ação desta terça-feira um grave episódio de violência institucional, com censura à imprensa e uso desproporcional da força dentro do Parlamento.

O caso amplia a crise política na Câmara e aprofunda o debate sobre limites do poder disciplinar, liberdade de imprensa e seletividade na aplicação das regras internas da Casa.

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