Pouca gente parecia tão satisfeita quanto Michelle Bolsonaro após a prisão do marido. Sorridente, virou personagem de memes enquanto, nos bastidores, dava sinais claros de que pretendia assumir o posto de herdeira política de Jair Bolsonaro.
Plano em curso
Com a derrocada gradual do ex-presidente, o próprio PL admitia que o plano avançava. A ex-primeira-dama não se limitava a eventos e viagens políticas. Passou a testar seus limites dentro do partido, comportando-se como figura central.
Confronto interno
Em um dos episódios mais simbólicos, Michelle repreendeu publicamente um deputado por desenhar uma aliança com Ciro Gomes, articulação que havia sido aprovada pela maioria do partido e pelo próprio Bolsonaro.
A frase que selou o destino
À Folha de S. Paulo, um integrante do PL resumiu o mal-estar interno: o partido teria “criado um monstro”. A avaliação era de que a ex-primeira-dama acumulava capital político suficiente para intervir nas decisões e, pior, desafiar a hierarquia.
Queda rápida
A aposta, no entanto, durou pouco. No dia 9 de dezembro, Michelle Bolsonaro se afastou da presidência do partido por “questões de saúde”, um dia após a indicação de Flávio Bolsonaro como substituto político do pai.
Reação tardia
Até mesmo o PL acreditou, por um período, que ela poderia ser uma sucessora viável. Popular, avançava discretamente. O freio veio quando “as garras apareceram”. A resposta foi imediata: corte, silêncio e exclusão.
Submissão sem recompensa
Sem espaço, a ex-primeira-dama recua sem margem para protesto. O discurso de submissão feminina que sempre defendeu não ofereceu qualquer proteção quando tentou exercer poder real.
Controle restabelecido
Mesmo preso, Jair Bolsonaro retomou as rédeas e enviou um recado inequívoco: nenhuma fala, pensamento ou decisão da esposa teria peso político.
Projeto rejeitado
Para dirigentes da direita e para o próprio ex-presidente, ficou claro que Michelle tinha um projeto próprio. Internamente, chegou a ser acusada de “não pensar no coletivo”.
Fábula conhecida
A lógica se repetiu. Quando a “ajudadora” tenta virar protagonista, é descartada. Popularidade não garante permanência em um movimento que se organiza pela força bruta da lealdade.
Final anunciado
No bolsonarismo, é cobra engolindo cobra. Mulher serve como ornamento religioso ou cabo eleitoral emocionado — jamais como figura central.
Conclusão amarga
A autoproclamada “princesa herdeira” descobriu tarde demais que o castelo nunca foi seu. Restou o banquinho do canto e a lição clássica do patriarcado: ousar custa caro.

