O sequestro de Nicolás Maduro escancarou o velho teatro do poder hemisférico: quando a soberania de um país latino-americano vacila, as capitais do Norte correm para redesenhar o mapa como se fosse um quadro de xadrez colonial.
Lula emerge como eixo porque o Brasil carrega uma tradição diplomática que vai de Rio Branco ao Itamaraty moderno, combinando pragmatismo e autonomia.
Como diz a sabedoria, “a crise se torna produtiva quando força os homens a pensar” (Einstein, mas há controvérsias) — e é exatamente isso que a elite global tenta evitar ao terceirizar decisões para Washington enquanto finge neutralidade.
OS FATOS:
- Emmanuel Macron e Marcelo Rebelo de Sousa procuraram Lula para entender a posição brasileira diante da captura de Maduro, sinal de que Paris e Lisboa reconhecem o peso regional do Brasil.
- Lula conversou com Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, além de líderes do México, Colômbia, Espanha e Portugal; o chanceler Mauro Vieira ampliou a rede de contatos multilaterais.
- O Planalto avalia que a interlocução simultânea com Caracas e Donald Trump coloca o Brasil como amortecedor de uma possível escalada militar e diplomática.
O telefone vermelho da diplomacia toca no meio do samba
Enquanto a imprensa corporativa trata a crise como novela exótica, a diplomacia real opera no ritmo de um jazz tenso: improviso com método. Chico Buarque já avisava que “apesar de você, amanhã há de ser outro dia”; a elite financeira prefere que esse amanhã nunca chegue. Lula, com seu capital político no Sul Global, desorganiza a coreografia previsível do imperialismo, que prefere golpes rápidos a negociações longas. O deboche é que os mesmos que demonizam Caracas agora batem à porta de Brasília pedindo moderação.
| Ator internacional | Postura pública sobre a Venezuela | Ação prática nos bastidores |
|---|---|---|
| Estados Unidos | Defesa abstrata da democracia | Pressão por alinhamento e sanções |
| França | Preocupação humanitária | Busca mediação brasileira |
| Portugal | Neutralidade diplomática | Consulta direta a Lula |
| Brasil | Diálogo e não intervenção | Ponte entre Caracas e Washington |
O Brasil vai ceder à pilhagem diplomática ou liderar uma saída soberana?
A resposta tecnicamente viável é a liderança ativa do Brasil em um fórum latino-europeu que substitua sanções por garantias multilaterais, evitando a “corrupção legalizada” do lobby armamentista e abrindo espaço para uma transição negociada, com observadores internacionais e foco no bem-estar do povo venezuelano.

