Defensor da Podridão

Após Damares dar nome aos bois, Malafaia tenta “despiorar” lista e vira escudo de luxo para André Valadão

Líder da ADVEC entra em modo de contenção de danos após senadora confirmar nomes da cúpula evangélica na CPMI do INSS; "Papa" do bolsonarismo tenta diminuir peso das investigações enquanto o cerco da PF aperta sobre a "Igreja Business".
Silas Malafaia
Silas Malafaia
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

A fúria de Silas Malafaia tem um termômetro infalível: quanto mais alto ele grita, mais perto a justiça está da sacristia. Nesta quarta-feira (14), o pastor-presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) protagonizou mais um capítulo de sua ópera bufa digital.

Após a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) — a “linguaruda” da vez — entregar de bandeja os nomes de André Valadão e outros líderes à CPMI do INSS, Malafaia correu às redes para tentar desqualificar a lista.

Em um esforço patético de semântica, ele alega que “só um grande líder” (Valadão) foi citado e que as igrejas listadas não seriam “grandes” o suficiente para manchar a reputação do segmento.

Para Malafaia, a podridão só conta se o CNPJ tiver muitos zeros no saldo bancário. Ao tentar blindar as “grandes igrejas”, o pastor confessa que sua preocupação não é com a verdade ou com os aposentados lesados, mas com a manutenção do império de influência que sustenta a extrema-direita. Chamar a acusação de Damares de “leviana” quando ela se baseia em Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) é o último recurso de quem vê o castelo de cartas do Banco Master e da Lagoinha desmoronar. Malafaia não defende o Evangelho; defende o lobby de quem confunde altar com balcão de negócios.

A leitura é de que o pânico do “Papa” evangélico é sintomático. Se André Valadão — o queridinho da Flórida e mentor do Clava Forte Bank — caiu na rede, ninguém mais está seguro. Malafaia tenta vender a ideia de que a “Igreja Evangélica” está sendo denegrida, mas quem denigre a fé são os pastores-investidores que usam o dízimo da viúva para financiar festas luxuosas e esquemas de lavagem de dinheiro. A briga entre ele e Damares é a canibalização final de um projeto de poder que apodreceu por dentro.

O Desespero em Tópicos: A Defesa Furada de Malafaia

O líder da ADVEC tenta usar a retórica para diminuir o impacto das revelações de Damares:

Argumento de MalafaiaA Realidade da NavalhaO que está em Jogo
“Apenas um grande líder foi citado”.Refere-se a André Valadão (Lagoinha), o que já é devastador.O rastro do dinheiro do Banco Master.
“As outras igrejas não são grandes”.Fraude contra o INSS não depende do tamanho do templo.O uso de pequenas igrejas como “laranjas”.
“Acusação denigre a igreja”.O que denigre a igreja é a investigação de R$ 5,7 bi em fraudes.A perda de credibilidade com a base fiel.
“Damares se contradiz”.A senadora apenas oficializou o que já estava nos autos.A quebra do pacto de silêncio do bolsonarismo.

“Papa Gospel” do Grito

Malafaia se coloca como o censor oficial da fé, decidindo quem é “renomado” e quem é “descartável” para a fogueira da opinião pública. Ao abandonar os pastores menores da lista para tentar salvar o “peixe grande” Valadão, ele mostra que a solidariedade pastoral tem limites financeiros bem definidos. No Rio de Janeiro de 2026, o barulho de Malafaia já não assusta como antes; ele soa como o eco de um regime que perdeu o controle sobre seus próprios segredos.

Enquanto o pastor aconselha seus seguidores a assistirem seus vídeos, a Polícia Federal aconselha a leitura dos Relatórios de Inteligência Financeira. A “podridão” mencionada não é uma invenção de Damares, mas o resultado de anos de promiscuidade entre o setor financeiro predatório (Master) e estruturas religiosas que se venderam ao melhor lance. Se Malafaia está desesperado, é porque sabe que, no tribunal da história e da justiça, o grito não apaga o rastro bancário.

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