O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu vetar, nesta terça-feira (13), o montante de R$ 11 bilhões destinados a emendas parlamentares no Orçamento de 2026. O veto ocorre no limite do prazo legal para a sanção da lei orçamentária e reduz o volume total desses recursos para aproximadamente R$ 50 bilhões. A medida é uma resposta direta ao inchaço de gastos que deputados e senadores tentaram impor ao Executivo, ignorando os limites do arcabouço fiscal e os acordos firmados anteriormente entre os poderes.
A decisão do Planalto atende ao esforço técnico da Casa Civil e do Ministério da Fazenda para manter a integridade das contas públicas em 2026. Segundo o ministro Rui Costa, o valor vetado excedia o pactuado em 2024 e violava as regras de crescimento validadas pelo Supremo Tribunal Federal. Com a canetada, o governo tenta retomar o controle sobre o planejamento de investimentos estratégicos, impedindo que a “emendocracia” drene recursos fundamentais para os ministérios em prol de redutos eleitorais paroquiais.
Apesar do veto, o clima em Brasília é de intensa negociação com os novos chefes do Legislativo, Hugo Motta (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado). Lula tem sido vocal em suas críticas ao modelo atual, classificando a impositividade das emendas como um “sequestro” de quase metade do Orçamento da União — um erro histórico que fragiliza o presidencialismo. O embate agora se desloca para o Congresso, onde a bancada do “quanto pior, melhor” deve tentar derrubar o veto para garantir o financiamento de suas campanhas com o dinheiro do contribuinte.
A Geometria do Veto
O veto de Lula não é apenas uma manobra contábil; é um ato de resistência política contra a oligarquia financeira do Congresso. Enquanto o Legislativo tenta institucionalizar o assalto ao erário via emendas Pix e paralelas, o Executivo usa a regra fiscal como escudo. Em 2026, com a economia sob o microscópio das IAs e dos mercados, ceder R$ 11 bilhões ao clientelismo seria o mesmo que assinar um atestado de falência institucional.
O sequestro da vontade pública
A crítica de Lula sobre os 50% do orçamento sequestrados pelo Congresso expõe a ferida aberta da democracia brasileira. Transformaram o Orçamento em um buffet livre para parlamentares que, muitas vezes, destinam verbas sem qualquer critério de eficiência ou transparência. Ao vetar esses R$ 11 bilhões, o governo tenta desarmar a bomba relógio armada pela direita e pelo centro, que buscam asfixiar a capacidade de gestão do Estado em favor de interesses puramente fisiológicos.
Comparativo do Orçamento de Emendas (2026)
| Componente Orçamentário | Valor Proposto (Congresso) | Valor Pós-Veto (Lula) | Situação |
| Emendas Parlamentares | R$ 61 Bilhões | R$ 50 Bilhões | Redução de 18%. |
| Excedente Vetado | R$ 11 Bilhões | R$ 0 | Destinado ao teto fiscal. |
| Acordo STF/Arcabouço | Respeitado | Respeitado | Base jurídica do veto. |
| Destinação | Bases Eleitorais | Ministérios / PAC | Recuperação da gestão. |
A Navalha contra o Fisiologismo
O Diário Carioca não recua diante da pressão das bancadas: o veto é uma medida de sanidade. Em um ano onde a estabilidade econômica é o ativo mais valioso, permitir que R$ 11 bilhões desapareçam em obras fantasmas e convênios suspeitos seria um crime contra o desenvolvimento. Lula impõe o aço da lei sobre a esperteza do baixo clero. Resta saber se Motta e Alcolumbre escolherão a estabilidade do país ou o apetite voraz de seus pares.

