Direita Rachada

União em Xeque: Michelle chama Allan dos Santos de ‘ventríloquo’ em nova guerra no bolsonarismo

Ex-primeira-dama reage com fúria após ser rotulada de "comunista do Centrão" por postar vídeo de Tarcísio; racha expõe a disputa pela herança política de Bolsonaro em 2026.
Michelle Bolsonaro - Foto: ABr
Michelle Bolsonaro - Foto: ABr
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

A extrema-direita brasileira, mestre em fabricar inimigos externos, resolveu finalmente devorar os próprios filhos. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro rompeu o silêncio nesta quarta-feira (14) para disparar contra o blogueiro foragido Allan dos Santos, a quem apelidou carinhosamente de “Allan dos demônios”. O estopim para a troca de gentilezas foi a publicação, por parte de Michelle, de um vídeo do governador Tarcísio de Freitas exaltando um “novo CEO” para o Brasil — uma curtida que soou como heresia nos ouvidos do “bunker” ideológico. Allan, o porta-voz do exílio dourado, não perdoou: acusou Michelle de ser uma peça manobrada pelo Centrão e de “ignorar a dor” de Jair Bolsonaro, preso em Brasília, para pavimentar a estrada de Tarcísio rumo ao Planalto.

Michelle, que até ontem era a “fada madrinha” do conservadorismo, agora experimenta o veneno que seus aliados costumam destinar à oposição. Em uma carta aberta ácida, ela classificou os ataques como misóginos e acusou Allan de ser um “boneco de ventríloquo” de interesses espúrios. A ex-primeira-dama, que viaja o país pelo PL Mulher enquanto o marido enfrenta o cárcere e soluços, deixou claro que não aceita coleira: “Nem o meu galego dos olhos azuis tenta intervir na minha liberdade”, disparou ela, mandando o blogueiro “se enxergar”. O racha é profundo e revela que, na ausência do líder, o clã e seus satélites se degladiam pelo controle da narrativa e do dízimo eleitoral.

Enquanto Allan dos Santos sugere que Michelle está “cagando para Bolsonaro”, a ex-primeira-dama tenta equilibrar o apoio a Tarcísio com a jura de lealdade ao marido detido. A briga, no entanto, é menos sobre “luz e trevas” e mais sobre quem terá a chave do cofre e o controle do gado digital em 2026. O bolsonarismo, ao que parece, está se tornando um condomínio onde os vizinhos já não se suportam, mas precisam dividir a mesma cerca elétrica.

A sucessão é um prato que se come com dízimo ou com traição?

Será que a militância vai engolir a nova faceta de Michelle, a “mulher autônoma” que desafia os radicais? O ataque de Allan dos Santos expõe a fragilidade de uma aliança construída sobre o ódio comum: na falta de um alvo à esquerda, eles miram no espelho. Michelle reage ao ser chamada de oportunista, mas sua aproximação com o “novo CEO” de São Paulo é o cálculo frio de quem sabe que o espólio político de Bolsonaro é grande demais para ficar apenas em mãos familiares. No teatro de sombras da direita, a santidade de Michelle agora é questionada pelos próprios inquisidores que ela ajudou a alimentar.

O Termômetro da Discórdia: O Racha no Bunker

PersonagemO Ataque / A ProvocaçãoA Resposta / A DefesaO Objetivo Oculto
Allan dos SantosChamou Michelle de “comunista do Centrão” e “ventríloquo”.Acusa a ex-primeira-dama de abandonar o marido preso.Manter a hegemonia da ala radical ideológica.
Michelle BolsonaroApelidou o blogueiro de “Allan dos demônios”.Reclama de misoginia e defende autonomia política.Consolidar-se como sucessora ou madrinha de Tarcísio.
Tarcísio de FreitasPostou sobre “Novo CEO” para o Brasil.Mantém-se em silêncio enquanto Michelle o defende.Herdar o eleitorado bolsonarista sem o radicalismo.
Clã Bolsonaro (Filhos)Cobranças veladas por falta de apoio a Flávio 2026.Silêncio ensurdecedor sobre os ataques de Allan.Impedir que Michelle ou Tarcísio “atropelem” a linhagem.

A análise é cirúrgica: o bolsonarismo entrou em fase de autofagia. Michelle Bolsonaro, ao tentar se descolar da imagem de “esposa silenciosa” para se tornar a “CEO da sucessão”, despertou os cães de guarda do radicalismo. Allan dos Santos é apenas o megafone de um descontentamento maior que envolve os filhos do ex-presidente, que veem com pavor a ascensão de uma força que eles não conseguem controlar. A “maledicência” que Michelle denuncia hoje é a mesma ferramenta que ela usou ontem contra seus desafetos. O feitiço virou contra a feiticeira, e o caldeirão de 2026 já começou a transbordar ressentimento.

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