Ninho de Cobras

Damares Alves manda Silas Malafaia “orar” enquanto o dízimo flerta com a fraude previdenciária

Senadora ignora ataques do pastor e expõe lista de igrejas sob investigação na CPMI do INSS; "Linguaruda" ou zeladora da lei? O rastro dos descontos indevidos em aposentadorias agora divide os profetas do bolsonarismo.
A senadora Damares Alves mandou Silas Malafaia "orar" após ser chamada de linguaruda. Ela divulgou a lista de igrejas e pastores investigados pela CPMI do INSS.
A senadora Damares Alves mandou Silas Malafaia "orar" após ser chamada de linguaruda. Ela divulgou a lista de igrejas e pastores investigados pela CPMI do INSS.
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

A harmonia do coral evangélico foi substituída por um duelo de vaidades e denúncias que faria qualquer fariseu corar. Damares Alves, a senadora que já viu Jesus na goiabeira, agora parece enxergar algo bem mais terreno nos livros contábeis de seus irmãos de fé: a “Farra do INSS”.

Em resposta ao pastor Silas Malafaia — que a chamou de “linguaruda” e “leviana” por sugerir que grandes denominações estariam envolvidas em fraudes contra aposentados —, Damares foi curta, grossa e enigmática.

“O Malafaia precisa orar um pouco. Eu não submeto minhas ações parlamentares a ele”, disparou. É a versão gospel do “quem te viu, quem te vê”: a ex-pastora, agora investida de poder inquisitório, avisa que o púlpito não é salvo-conduto para o dízimo extraído do suor de pensionistas.

O embate não é apenas retórico; é documental. Pressionada pelo “berro” de Malafaia, Damares abriu a caixa de Pandora e soltou os nomes que o pastor exigia.

Na mira da CPMI e com pedidos de quebra de sigilo, estão instituições como a Adoração Church, a Assembleia de Deus Ministério do Renovo e o Ministério Deus é Fiel Church.

Mais pimenta: nomes como André Valadão (o líder global da Lagoinha) e Fabiano Zettel (o empresário-pastor que transita pelo Banco Master) foram convidados a prestar contas.

O rejeitado e hipócrita Silas Malafaia
O rejeitado e hipócrita Silas Malafaia

Ao expor a Assembleia de Deus do Amazonas, ligada ao clã de Silas Câmara, Damares prova que o corporativismo religioso está perdendo a validade diante do risco de um escândalo previdenciário que pode drenar a última gota de credibilidade da bancada evangélica.

Pode a fé sobreviver quando o altar se torna balcão de negócios consignados?

Será que Malafaia teme que a investigação chegue perto demais de suas próprias alianças ou sua fúria é apenas o medo de ver o “segmento” ser maculado por investigações oficiais?

Ao exigir que Damares dê nomes, o pastor recebeu uma lista que inclui desde a Lagoinha até igrejas de menor porte, mas de apetite voraz pelos descontos irregulares.

A CPMI do INSS está chegando onde nenhum fiel imaginava: na conta bancária de líderes que pregam a prosperidade enquanto, supostamente, facilitam a penúria de idosos.

Se Damares está sendo “linguaruda”, ela está usando sua língua para ler relatórios da Receita e do RIF que Malafaia, em sua oração barulhenta, parece preferir ignorar.


O Mapa da “Inquisição” Gospel: Quem está na lista de Damares

Entidade / LíderMedida SolicitadaVínculo / ContextoA Visão do Diário
André ValadãoConvocação e quebra de sigilo.Lagoinha Global / Caso Master.O “popstar” da fé terá que trocar o palco pelo plenário.
Fabiano ZettelConvite para prestar depoimento.Ex-Lagoinha / Cunhado de dono de banco.O elo entre o altar e o sistema financeiro sob suspeita.
Adoração ChurchTransferência de sigilo financeiro.Investigada por descontos indevidos.Onde a adoração encontra a transação irregular.
Assembleia de Deus (AM)Análise de documentos pela CPMI.Ligada ao deputado Silas Câmara.O nepotismo religioso sob a lupa da lei.

A guerra entre Damares e Malafaia é o sinal de que o barco bolsonarista está sendo abandonado pelos ratos mais espertos. Damares, percebendo que o cerco à “Farra do INSS” é inevitável, escolheu o lado da investigação para não ser tragada pelo escândalo.

Malafaia, por outro lado, tenta segurar a porteira com gritos, mas os requerimentos de quebra de sigilo não se assustam com vídeos de rede social.

Se Malafaia precisa “orar”, o Brasil precisa que a CPMI trabalhe — e que o dinheiro dos aposentados deixe de ser a oferta voluntária involuntária de esquemas de lavagem.

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