Pobre Rio

Valdemar garante Cláudio Castro no PL e quer acordo com Bolsonaro

Após crise com Bolsonaro, Valdemar da Costa Neto reafirma apoio a Cláudio Castro e articula recomposição no núcleo do bolsonarismo
Valdemar e Cláudio Castro - Foto: Reprodução
Valdemar e Cláudio Castro - Foto: Reprodução
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília, 16 de julho de 2025 — Valdemar da Costa Neto confirmou nesta quarta que o governador Cláudio Castro segue no PL. A decisão tenta conter os efeitos da ruptura com Jair Bolsonaro após a queda de Washington Reis.

Valdemar resgata Cláudio Castro e tenta reencenar unidade no bolsonarismo fluminense

Não é consenso. É cálculo. Valdemar da Costa Neto, presidente do Partido Liberal, decidiu manter Cláudio Castro na legenda e apagar os focos de instabilidade provocados pela fúria do ex-presidente Jair Bolsonaro. A operação de contenção foi costurada na sede do partido em Brasília e tem um objetivo claro: garantir que o Rio de Janeiro continue sob o comando do bloco de direita mais reacionário do país.

A permanência de Castro no PL é menos uma sinalização de confiança e mais uma aposta estratégica para 2026. Ao afirmar que “o PL é minha casa”, o governador tenta blindar sua gestão do racha público causado pela exoneração de Washington Reis, nome da extrema confiança de Bolsonaro. O caso W.R., como já é chamado entre interlocutores do partido, escancarou a disputa interna por espaço, poder e fidelidade dentro da sigla.

Flávio Bolsonaro vira ponte na tentativa de reconstrução da aliança

O encontro de Cláudio Castro com o senador Flávio Bolsonaro, previsto para a tarde desta quarta, é o primeiro gesto formal de reaproximação com o clã. Embora Bolsonaro tenha manifestado publicamente seu desagrado com a demissão de Reis, o comando do partido parece apostar na capacidade de digestão rápida do ex-presidente.

Valdemar sabe que Jair é volátil — e conta com essa volubilidade como trunfo. A expectativa é que, até agosto, todas as feridas sejam maquiadas a tempo da “Rota 22”, o giro político de Bolsonaro pelos estados, que terá no Rio de Janeiro uma de suas paradas mais simbólicas.

Unidade fabricada para preservar hegemonia eleitoral no Rio

Não se trata de divergência programática, mas de briga por território e comando. Valdemar, Jair e Castro sabem que o Rio é epicentro do bolsonarismo no país. Perder influência no estado significa perder musculatura eleitoral. A recomposição entre as alas — mesmo que forçada — é vista como condição para manter o domínio das máquinas regionais, das emendas, das polícias e dos votos.

Ao posar ao lado de Valdemar e declarar lealdade ao partido, Cláudio Castro reafirma que está disposto a tudo para seguir orbitando o projeto de poder bolsonarista, mesmo após ter sido deixado sob ataque público. A lealdade que sobra ao cacique do PL, falta a qualquer projeto de soberania popular ou inclusão real no estado do Rio.

No PL, a fidelidade é à máquina — não ao povo

A narrativa de reconciliação tenta ocultar a verdade incômoda: o PL não é casa de ninguém além da velha elite conservadora brasileira. O partido opera como um consórcio político para proteger interesses de empresários, militares e parlamentares alinhados à extrema-direita. Cláudio Castro é funcional a esse projeto. Jair Bolsonaro é sua face. Valdemar da Costa Neto, seu operador.

A disputa não é por princípios — é por comando. E quem paga o preço é a população fluminense, sujeita a governos cuja prioridade é a manutenção da hegemonia de um bloco político que, entre rachadinhas, fake news e repressão policial, segue no poder.

Perguntas e Respostas

Cláudio Castro vai sair do PL?
Não. Valdemar da Costa Neto garantiu sua permanência na legenda.

Por que Bolsonaro se irritou com Castro?
Por causa da demissão de Washington Reis, aliado direto do ex-presidente.

Valdemar tenta mediar a crise?
Sim. Ele aposta na recomposição da aliança até agosto.

Qual o papel de Flávio Bolsonaro nisso?
Flávio atua como interlocutor direto na reaproximação com Castro.

O que está em jogo nessa disputa?
O controle do bolsonarismo no Rio e sua força eleitoral em 2026.

Recomendadas