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Idade das Trevas

Caso Julio Lancellotti: Quando a caridade incomoda, a resposta arcaica da igreja é cortar o microfone

Para alguns padres, milhões de seguidores e política liberada; para Júlio, censura

17 de dezembro de 2025

O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, determinou a transferência do padre Júlio Lancellotti da Paróquia São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, onde o sacerdote atuava havia cerca de 40 anos. A decisão foi comunicada por carta recebida pelo religioso na última quarta-feira (10).

No documento, dom Odilo informa a transferência sem indicar publicamente qual será o novo destino do padre. A comunicação inclui ainda a proibição do uso de redes sociais por padre Júlio e a suspensão das transmissões on-line das missas dominicais celebradas na paróquia.

As celebrações conduzidas por Lancellotti vinham sendo acompanhadas por fiéis de diversas regiões do Brasil e do exterior por meio das transmissões digitais. O padre também mantinha atuação ativa nas redes, onde divulgava ações pastorais e posicionamentos públicos.

Dom Odilo me pediu para dar um tempo. Ele acha que é uma forma de recolhimento e de proteção”, afirmou o religioso à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Questionado sobre a decisão, respondeu: “Tenho apenas que obedecer”.

Atuação social reconhecida
Padre Júlio Lancellotti é conhecido nacionalmente pelo trabalho junto à população em situação de rua na capital paulista, por meio da Pastoral do Povo da Rua, ligada à Igreja Católica. A atuação envolve distribuição de alimentos, atendimento pastoral e articulação de projetos sociais.

Entre as iniciativas recentes está a Biblioteca Wilma Lancellotti, inaugurada na rua Sapucaia, no bairro do Belém, voltada ao atendimento de pessoas em situação de rua. O espaço reúne cerca de 3 mil livros doados e promove rodas de conversa e atividades de incentivo à leitura.

A jornalista Denise Ribeiro, colaboradora do projeto, publicou um texto que viralizou nas redes com questionamentos sobre a decisão. “Que motivos levariam dom Odilo a tomar decisão tão drástica em pleno final de ano?”, escreveu, levantando hipóteses sobre pressões políticas, econômicas e religiosas.

Silêncio institucional
Até o momento, a Arquidiocese de São Paulo não divulgou nota pública detalhando os motivos da decisão nem informações claras sobre o futuro do padre na estrutura eclesiástica da cidade.

Dom Odilo Scherer tem aposentadoria prevista para abril de 2026, conforme as normas da Igreja Católica para bispos ao completarem 75 anos. A transferência ocorre, portanto, no período final de sua gestão à frente da arquidiocese paulistana.

A decisão gerou manifestações públicas de apoio ao padre por parte de fiéis, voluntários e entidades sociais ligadas aos projetos desenvolvidos por ele ao longo das últimas décadas.

Possível saída definitiva da paróquia
Além da censura às transmissões e às redes sociais, dom Odilo avalia a retirada definitiva do padre da paróquia ainda neste ano. Lancellotti, que completa 77 anos no dia 27, afirmou que a decisão “ainda não aconteceu”, apesar de mensagens que circularam em grupos ligados à Igreja.

Segundo ele, as normas canônicas permitem remoções após os 75 anos, mas há casos de padres que permanecem em atividade “depois dos 80 ou 90 anos”, conforme a necessidade pastoral.

Até agora, não há confirmação oficial sobre mudanças no funcionamento dos projetos sociais nem sobre a continuidade das atividades da Paróquia São Miguel Arcanjo após sua eventual saída.

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