
Em um contorcionismo retórico digno de quem bate continência para bandeira estrangeira, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) correu às redes sociais para tripudiar sobre a suspensão dos vistos de imigração para brasileiros, anunciada pelo governo Donald Trump. Para o filho do ex-presidente — que vive hoje uma espécie de exílio dourado na Flórida, mas sente o calor da incerteza migratória após perder seu passaporte diplomático —, o fato de o Brasil ter sido incluído na “lista negra” de Washington é culpa exclusiva da diplomacia de Lula e Celso Amorim. Eduardo ignora que o “filtro” eugênico de Trump (que quer barrar idosos e obesos) é uma política unilateral de fechamento, preferindo culpar o governo brasileiro pelo que chama de “rebaixamento internacional”.
O herdeiro político, que já foi chamado de “terrorista” e “lambe-botas” por Lula devido à sua atuação em Washington contra as instituições brasileiras, parece não perceber a ironia: ele celebra uma medida que, em última instância, pode atingir sua própria permanência nos EUA. Enquanto o Itamaraty tenta mediar o conflito para proteger cidadãos comuns, o “03” prefere ver o Brasil como um “país irrelevante e descartável”, equiparando a nação a estados em guerra civil apenas para alimentar o discurso de terra arrasada. É o patriotismo de conveniência de quem torce contra o país para ver se ganha um afago do mestre no Salão Oval.
Perspectivas Editoriais
No Diário Carioca, a “Navalha Carioca” é impiedosa com a alienação de Eduardo. Ao celebrar o bloqueio de seus compatriotas, ele assina o atestado de traição aos interesses nacionais. A diplomacia brasileira, que busca a multipolaridade e o respeito à soberania, é atacada por quem gostaria que o Itamaraty fosse apenas um anexo do Departamento de Estado. Eduardo fala que o “mundo enxerga”, mas ele mesmo parece cego para o fato de que, para Trump, ele não é um aliado, mas apenas mais um número em uma lista de deportação em potencial.
A Retórica do Vexame: Eduardo vs. Realidade
A análise da fala do ex-deputado revela o abismo entre o discurso e os fatos geopolíticos de 2026:
| Tese de Eduardo Bolsonaro | A Realidade dos Fatos | Diagnóstico da “Navalha” |
| Culpa de Lula e Celso Amorim. | Medida é unilateral de Trump contra 75 países. | Transferência de responsabilidade típica. |
| Brasil no mesmo grupo da Somália. | Lista inclui países de todos os perfis (Brasil e Uruguai). | Alarmo seletivo para gerar pânico. |
| Rebaixamento Internacional. | Brasil é líder do G20 e mediador na Venezuela. | Desejo de que o país seja pária. |
| Visto é sinal de “hipocrisia”. | Medida é baseada em custos de assistência social (EUA). | Ignora o protecionismo cego de seu ídolo. |
O Alienado Sob a Espada de Dâmocles
Eduardo Bolsonaro vive hoje uma contradição ambulante. Ataca a diplomacia brasileira enquanto depende da hospitalidade de um governo que acaba de declarar brasileiros como potenciais “encargos públicos”. Ao criticar a “hipocrisia” internacional, ele esquece que sua própria situação jurídica nos EUA é frágil. Sem o mandato parlamentar e sem o passaporte diplomático, o “02” da família corre o risco de ser engolido pela própria máquina de moer imigrantes que ele tanto defende. É o “capitão” abandonando o navio e sendo barrado no porto de destino.
A Navalha sobre a Traição “Patriótica”
Nada define melhor a extrema-direita brasileira do que a comemoração das sanções contra o próprio povo. Eduardo Bolsonaro se porta como um lobista do isolacionismo, celebrando cada porta que se fecha para o Brasil sob o pretexto de “recado político”. A “Navalha Carioca” corta: não há nada de patriótico em querer o rebaixamento da própria pátria. Eduardo não é um diplomata, é um ressentido que busca no autoritarismo estrangeiro a validação que as urnas e a justiça brasileira lhe negaram. Se o Brasil é “descartável” para Washington, Eduardo é o primeiro da fila a ser descartado quando a conveniência política de Trump mudar.





