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Chega de Farra

Dino ordena suspensão de ‘penduricalhos’ e mira supersalários nos Três Poderes

Ministro do STF fixa prazo de 60 dias para revisão de verbas indenizatórias; valores que ultrapassem o teto constitucional de R$ 46,3 mil sem previsão legal devem ser interrompidos.

5 de fevereiro de 2026

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (5) que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário realizem uma revisão profunda e suspendam o pagamento de benefícios conhecidos como “penduricalhos” que estejam em desacordo com a lei. A decisão liminar foca em verbas que permitem a servidores e magistrados ultrapassarem o teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46.366,19.

Dino estabeleceu um prazo de 60 dias para que todos os órgãos da administração pública reavaliem seus pagamentos. Segundo o magistrado, qualquer verba que não tenha sido expressamente prevista em lei aprovada pelo respectivo Poder Legislativo deve ter o pagamento cessado imediatamente após o fim do prazo.

POLíTICA

Perspectivas Editoriais

Nota do Editor: Análise de Contexto.
Impacto: A "farra das indenizações" encontrou um limite técnico. Ao exigir que cada centavo acima do teto seja justificado por lei específica, o STF devolve a responsabilidade ao Legislativo e protege o erário contra a criatividade burocrática dos supersalários.
A "farra das indenizações" encontrou um limite técnico. Ao exigir que cada centavo acima do teto seja justificado por lei específica, o STF devolve a responsabilidade ao Legislativo e protege o erário contra a criatividade burocrática dos supersalários.


Combate à “Maquiagem Salarial”

Em seu voto, o ministro foi enfático ao criticar a utilização de verbas indenizatórias — que, por natureza, não deveriam contar para o teto — como ferramenta para inflar salários de forma artificial. Dino classificou a prática como uma “maquiagem remuneratória” que afronta diretamente a Constituição Federal.

“A título de indenizações, o poder público tem permitido supersalários, como ‘auxílio-peru’ e ‘auxílio-panetone'”, afirmou o ministro, citando exemplos de benefícios que distorcem a finalidade da recomposição de gastos.

O “Looping Eterno” da Isonomia

O ministro apontou que a proliferação desses benefícios gera um efeito cascata nocivo. Segundo ele, o descumprimento do teto em algumas categorias cria uma pressão constante por “isonomia”, onde outras carreiras buscam criar suas próprias indenizações para equiparar ganhos, alimentando o que chamou de um “looping eterno” de gastos públicos.

Benefícios questionados na decisão:

  • Licenças compensatórias convertidas em pecúnia (dinheiro).
  • Gratificações por acúmulo de processos dentro da mesma jornada.
  • Auxílios de locomoção e combustível sem comprovação de despesa.
  • Auxílio-educação e auxílio-saúde pagos de forma irrestrita.
  • Acúmulos voluntários de férias para posterior conversão em dinheiro.

Responsabilidade do Congresso

Além da suspensão imediata das verbas ilegais, Flávio Dino cobrou uma postura ativa do Congresso Nacional. Para o ministro, é urgente a elaboração de uma lei nacional que regulamente de forma definitiva quais verbas podem ser consideradas exceções legítimas ao teto constitucional, encerrando a insegurança jurídica que permite as distorções atuais.

A decisão será levada ao Plenário do STF para referendo dos demais ministros, em data ainda a ser definida pela presidência da Corte.


Takeaways (Pontos Chave)

  • Prazo de 60 dias: Todos os Três Poderes devem revisar folhas de pagamento.
  • Teto de R$ 46,3 mil: Verbas extras que furam o teto sem lei expressa devem ser cortadas.
  • Fim da maquiagem: Dino condena o uso de “indenizações” para esconder salários reais.
  • Fiscalização: Medida atinge esferas federal, estadual e municipal.

Fatos-chave (Dados de Interesse)

  • Ministro Relator: Flávio Dino (STF).
  • Teto Atual: R$ 46.366,19 (salário de ministro do STF).
  • Contexto: Decisão ocorre após Congresso aprovar aumentos de até 100% em carreiras legislativas.
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