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Golpista Jair Bolsonaro escreve carta para tentar ungir herdeiro direto da cadeia

De dentro da cela, o ex-presidente emite "carta aos brasileiros" para indicar Flávio como sucessor; texto publicado por Carluxo transpira vitimismo e messianismo barato.

15 de janeiro de 2026

O ex-vereador Carlos Bolsonaro, o “Carluxo”, utilizou suas redes sociais nesta quarta-feira (14) para dar publicidade a um manuscrito de seu pai, o ex-presidente e atual detento Jair Bolsonaro. A missiva, datada simbolicamente no dia de Natal de 2025, foi redigida pouco antes de uma intervenção cirúrgica e serve como testamento político de uma era que muitos esperavam ver encerrada nos tribunais. No texto, Bolsonaro tenta converter sua prisão em martírio e lança oficialmente o senador Flávio Bolsonaro (PL) como o pré-candidato da extrema-direita à presidência da República em 2026.

A publicação, que não contou com comentários adicionais do filho “02”, foca na narrativa de uma suposta injustiça e na necessidade de manter viva a chama do bolsonarismo através da linhagem sanguínea. Bolsonaro utiliza termos de forte apelo religioso e patriótico, repetindo o mantra da “família e liberdade” para justificar a transferência de espólio político ao filho “01”. A estratégia busca garantir a imunidade política da família e manter a base radicalizada sob o comando de um sobrenome que, para a justiça, tornou-se sinônimo de investigações e retrocessos democráticos.

Abaixo, o Diário Carioca reproduz a íntegra do documento, para que o leitor observe a tentativa desesperada de pautar o debate nacional a partir de uma cela.

Carta aos brasileiros

Ao longo da minha vida, tenho enfrentado duras batalhas, pagando um preço alto, com a minha saúde e família, para defender aquilo que acredito ser o melhor para o nosso Brasil.

Diante desse cenário de injustiça, e com o compromisso de não permitir que a vontade popular seja silenciada, tomo a decisão de indicar Flávio Bolsonaro como pré-candidato à presidência da república em 2026.

Entrego o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio para a missão de resgatar o nosso Brasil. Trata-se de uma decisão consciente, legítima e amparada no desejo de preservar a representação daqueles que confiaram em mim.

Ele é a continuidade do caminho da prosperidade que iniciei bem antes de ser presidente, pois acredito que precisamos retomar a responsabilidade de conduzir o Brasil com justiça, firmeza e lealdade dos anseios do povo brasileiro.

Que Deus abençoe e o capacite na liderança dessa corrente de milhões de brasileiros que honram a Deus, a pátria, a família e a liberdade.

Brasília, 25 de dezembro de 2025.

O messianismo de cela: Flávio é o “resgate” ou a fuga?

Será que o Brasil é um feudo para ser transmitido por herança entre as grades de uma prisão? A carta de Bolsonaro é uma peça de ficção política que tenta transformar o isolamento penal em uma “missão divina”. Ao indicar Flávio Bolsonaro, o detento não oferece um projeto de nação, mas um plano de fuga institucional. Por que o país deveria aceitar a “continuidade” de um governo que flertou com o golpe, desprezou a ciência e agora tenta governar por procuração familiar? O deboche intelectual reside no fato de um pai “entregar” o próprio filho para a missão de “resgatar” o que ele mesmo destruiu.

A “prosperidade” citada no texto é o maior delírio de 2026. Qual prosperidade? A da fome, do desmatamento recorde ou das “rachadinhas” que orbitam o clã? Ao evocar Deus e a Pátria para ungir o sucessor, Bolsonaro sequestra símbolos nacionais para blindar sua descendência das consequências legais de seus atos. A carta não é um manifesto de liberdade, é o grito de um náufrago político que usa a família como boia de salvamento. Flávio Bolsonaro como “capacitado” é o último prego no caixão de uma direita que se diz liberal, mas que se comporta como uma dinastia de fundo de quintal.

A Dinastia do Atraso: O que a carta esconde?

Elemento da CartaO Discurso de VitrineA Realidade Nua e CruaO Paralelo Histórico
A Vítima“Pagando preço alto com a saúde”.Consequência direta de uma gestão desastrosa e ilegalidades.O declínio de líderes autoritários que culpam o destino.
O Herdeiro“Indicação consciente e legítima”.Tentativa de garantir foro privilegiado ao clã.O nepotismo romano em sua fase mais decadente.
A Missão“Resgatar o Brasil”.Retomar o poder para paralisar investigações.A volta dos “coronéis” travestidos de modernidade digital.
A Liberdade“Honrar a família e a liberdade”.Liberdade de quem? Dos acusados de atentar contra a democracia?O uso de conceitos libertários para justificar o arbítrio.

A tabela acima não deixa dúvidas: o que Carluxo postou não é uma carta, é um pedido de socorro disfarçado de patriotismo. A análise pós-dados é implacável: o bolsonarismo entrou em fase de metástase, onde o corpo político já não se sustenta sem o nepotismo mais rasteiro. Resgatar o Brasil, para essa família, significa sequestrar o futuro para pagar a conta do passado. O Diário Carioca questiona: até quando o país será refém dessa tragicomédia encenada em Brasília? A “corrente de milhões” que Bolsonaro evoca deveria servir para amarrar as responsabilidades legais de quem tanto mal fez ao povo, e não para puxar o trio elétrico de um senador que é a própria personificação do sistema que dizem combater.


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