
Lula decidiu não delegar. O presidente recebe nesta quinta-feira (15), no Palácio do Planalto, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, para tratar do avanço das investigações sobre fraudes no Banco Master. A informação é do colunista Júlio Wiziack, do UOL.
A reunião não consta na agenda oficial e ocorre pela manhã, logo após conversa de Lula com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. O movimento indica acompanhamento direto do caso no mais alto nível do Executivo.
Perspectivas Editoriais
O encontro acontece em meio à troca no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Wellington César Lima e Silva assume a pasta com a missão de conduzir o tema sem atritos com o Supremo Tribunal Federal, onde o caso tramita.
O Planalto desce ao detalhe
Segundo assessores, Lula quer rapidez. Cobra alinhamento entre Banco Central e Polícia Federal. E deseja entender, de viva voz, o grau de insatisfação da PF com decisões recentes do ministro Dias Toffoli.
O presidente lê o cenário com lupa. Fraudes bancárias corroem confiança institucional. Conflitos entre Poderes corroem ainda mais. O desafio é avançar sem incendiar pontes.
Quando a investigação encosta no Supremo
A tensão ganhou corpo após operação da PF, na quarta-feira (14), que prendeu temporariamente Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, e realizou buscas em endereços ligados a Nelson Tanure, João Carlos Mansur e ao próprio Vorcaro.
Dias Toffoli criticou a ação. Determinou que materiais apreendidos ficassem sob guarda do STF. Segundo Andrei, a medida dificulta o andamento imediato da investigação, especialmente a análise de celulares e computadores.
O detalhe que pesa: duas empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram relação societária com um fundo associado ao Banco Master. No tabuleiro institucional, coincidências costumam virar ruído — e ruído vira crise.
Banco Central, PF e o nó financeiro
Na véspera, Galípolo e Andrei já haviam se encontrado na sede da PF, em Brasília. O discurso público é de cooperação. O foco segue nas linhas que envolvem Daniel Vorcaro, a gestora Reag e o investidor Nelson Tanure.
Denúncias encaminhadas ao Banco Central apontam que Tanure poderia ser o verdadeiro controlador do Master por meio de transações trianguladas. O celular do investidor foi apreendido, mas ainda não teve o conteúdo acessado.
O mapa do conflito
| Eixo | Situação atual |
|---|---|
| Investigação da PF | Em curso, com apreensões sensíveis |
| Banco Central | Monitoramento e cooperação ativa |
| STF | Guarda de materiais e críticas à operação |
| Ministério da Justiça | Troca de comando em momento crítico |
| Palácio do Planalto | Acompanhamento direto do presidente |
Os dados revelam um campo minado. Investigar sem atropelar garantias. Avançar sem afrontar o Supremo. Demonstrar firmeza sem alimentar narrativa de conflito institucional.
Lula conhece esse terreno. Já viu investigações virarem armas políticas. Já sentiu o peso de decisões judiciais atravessando governos. Ao entrar pessoalmente no tema, tenta impor ritmo e método.
No Brasil, o combate a fraudes raramente é apenas técnico. Sempre carrega disputa de poder. A diferença, agora, é quem segura o compasso.





