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Lula entra em campo e vigia investigação sobre Banco Master

Presidente se reúne com diretor-geral da PF em meio a apurações de fraudes, troca no Ministério da Justiça e tensão silenciosa com o STF.

15 de janeiro de 2026

Lula decidiu não delegar. O presidente recebe nesta quinta-feira (15), no Palácio do Planalto, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, para tratar do avanço das investigações sobre fraudes no Banco Master. A informação é do colunista Júlio Wiziack, do UOL.

A reunião não consta na agenda oficial e ocorre pela manhã, logo após conversa de Lula com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. O movimento indica acompanhamento direto do caso no mais alto nível do Executivo.

O encontro acontece em meio à troca no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Wellington César Lima e Silva assume a pasta com a missão de conduzir o tema sem atritos com o Supremo Tribunal Federal, onde o caso tramita.

O Planalto desce ao detalhe

Segundo assessores, Lula quer rapidez. Cobra alinhamento entre Banco Central e Polícia Federal. E deseja entender, de viva voz, o grau de insatisfação da PF com decisões recentes do ministro Dias Toffoli.

O presidente lê o cenário com lupa. Fraudes bancárias corroem confiança institucional. Conflitos entre Poderes corroem ainda mais. O desafio é avançar sem incendiar pontes.

Quando a investigação encosta no Supremo

A tensão ganhou corpo após operação da PF, na quarta-feira (14), que prendeu temporariamente Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, e realizou buscas em endereços ligados a Nelson Tanure, João Carlos Mansur e ao próprio Vorcaro.

Dias Toffoli criticou a ação. Determinou que materiais apreendidos ficassem sob guarda do STF. Segundo Andrei, a medida dificulta o andamento imediato da investigação, especialmente a análise de celulares e computadores.

O detalhe que pesa: duas empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram relação societária com um fundo associado ao Banco Master. No tabuleiro institucional, coincidências costumam virar ruído — e ruído vira crise.

Banco Central, PF e o nó financeiro

Na véspera, Galípolo e Andrei já haviam se encontrado na sede da PF, em Brasília. O discurso público é de cooperação. O foco segue nas linhas que envolvem Daniel Vorcaro, a gestora Reag e o investidor Nelson Tanure.

Denúncias encaminhadas ao Banco Central apontam que Tanure poderia ser o verdadeiro controlador do Master por meio de transações trianguladas. O celular do investidor foi apreendido, mas ainda não teve o conteúdo acessado.

O mapa do conflito

EixoSituação atual
Investigação da PFEm curso, com apreensões sensíveis
Banco CentralMonitoramento e cooperação ativa
STFGuarda de materiais e críticas à operação
Ministério da JustiçaTroca de comando em momento crítico
Palácio do PlanaltoAcompanhamento direto do presidente

Os dados revelam um campo minado. Investigar sem atropelar garantias. Avançar sem afrontar o Supremo. Demonstrar firmeza sem alimentar narrativa de conflito institucional.

Lula conhece esse terreno. Já viu investigações virarem armas políticas. Já sentiu o peso de decisões judiciais atravessando governos. Ao entrar pessoalmente no tema, tenta impor ritmo e método.

No Brasil, o combate a fraudes raramente é apenas técnico. Sempre carrega disputa de poder. A diferença, agora, é quem segura o compasso.

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