
O que deveria ser um debate técnico sobre leis antitruste e monopólio transformou-se em um palanque de guerra cultural. Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, enfrentou o Senado dos EUA nesta terça-feira (3) para defender a aquisição dos ativos de streaming e estúdios da Warner Bros. Discovery. No entanto, a pauta econômica foi ofuscada por questionamentos agressivos de senadores conservadores que ecoam a retórica do movimento MAGA. Senadores como Eric Schmitt e Josh Hawley acusaram a gigante do streaming de ser uma ferramenta de “doutrinação woke” e de promover “ideologia de gênero” em sua programação infantil.
Sarandos rebateu as críticas de forma enfática, afirmando que a Netflix não possui agenda política e que seu catálogo é desenhado para refletir a diversidade de gostos de uma audiência global. O senador Josh Hawley, sem citar fontes oficiais, alegou que metade da programação para menores continha “material sexualizado”, baseando-se em relatórios de institutos conservadores como a Heritage Foundation. Em outra frente, o senador Ted Cruz classificou a empresa como um “braço de esquerda”, citando o acordo de produção com Barack e Michelle Obama como prova de um suposto viés propagandístico.
Perspectivas Editoriais
Apesar do ruído ideológico, a Netflix trouxe concessões estratégicas para tentar facilitar a aprovação do negócio. A empresa prometeu uma janela exclusiva de 45 dias nos cinemas para suas grandes produções, um aceno importante para a indústria exibidora e para os reguladores que temem o sufocamento das salas físicas pelo streaming. A fusão criaria o maior titã de conteúdo do planeta, mas o caminho até a aprovação final parece cada vez mais obstruído por uma narrativa política que transcende os números e atinge o coração dos valores conservadores americanos no governo Trump.
Takeaways:
- Netflix busca adquirir Warner Bros. Discovery por US$ 83 bilhões.
- Senadores republicanos acusam a plataforma de promover “ideologia woke”.
- Ted Sarandos nega viés político e defende a pluralidade do catálogo.
- Empresa promete 45 dias de janela em cinemas para acalmar o mercado.
Fatos-chave:
- Ted Sarandos e Bruce Campbell (WBD) testemunharam na subcomissão do Judiciário do Senado.
- Influenciadores MAGA pressionam Donald Trump para bloquear o negócio.
- A CNN, pertencente à Warner Bros. Discovery, não faz parte da transação.
- A Heritage Foundation publicou relatório alegando “engenharia social” pela Netflix.





