
Em uma movimentação que estremece as bases da Praça dos Três Poderes neste fevereiro de 2026, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal promova um confronto direto — a acareação — entre o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o deputado José Rocha (União-BA). O objetivo é dirimir as discrepâncias narrativas sobre o “Orçamento Secreto”, mecanismo que, embora extinto em teoria, continua a projetar sombras sobre a gestão de recursos públicos e as alianças políticas no Brasil. Este é o “Efeito Borboleta” da Operação Transparência: um depoimento técnico de uma assessora pode, agora, colocar líderes partidários frente a frente com investigadores da PF.
O Inquérito da Operação Transparência
A investigação, que ganhou tração com a prisão e busca contra Mariangela Fialek, a “Tuca”, ex-assessora de confiança da Presidência da Câmara, apura um sofisticado esquema de controle e desvio de emendas de relator. A PF sustenta que Tuca exercia um papel de “admissibilidade paralela”, filtrando quais parlamentares teriam acesso aos recursos com base em critérios que extrapolavam a técnica legislativa. Para o Diário Carioca, o ponto central não é apenas o desvio monetário, mas a manutenção de um sistema de poder que sobreviveu à declaração de inconstitucionalidade pelo STF.
Perspectivas Editoriais
A Defesa da Câmara e o Xeque-Mate Legal
A decisão de Dino ocorreu após a própria Advocacia da Câmara dos Deputados tentar anular buscas realizadas na Casa, alegando que a operação se baseou em “informações inverídicas”. O argumento da defesa de Lira é que o deputado José Rocha teria agido de forma isolada e irregular ao presidir a Comissão de Integração Nacional em 2024, desviando verbas destinadas a acordos prévios em Alagoas — reduto político de Lira. Essa troca de acusações entre os dois parlamentares criou um impasse que o STF não está disposto a ignorar, forçando a confrontação física e testemunhal.
Arthur Lira sob Escrutínio Inédito
Pela primeira vez em sua longa trajetória de influência em Brasília, Arthur Lira prestará depoimento oficial à Polícia Federal sobre a destinação de emendas parlamentares. Este fato marca uma mudança de paradigma em 2026: o isolamento institucional de ex-presidentes da Casa diante de um Judiciário que busca desmantelar as “caixas-pretas” orçamentárias. A investigação sugere que as emendas retiradas por José Rocha atendiam a acordos políticos que Lira considerava sacramentados, expondo as entranhas de como o orçamento federal é retalhado para sustentar coalizões de apoio.
O Papel de Tuca e a Posição da PGR
A Procuradoria-Geral da República (PGR) já manifestou que os elementos colhidos pela PF são “consistentes”. O material apreendido no antigo gabinete de Tuca — que inclui anotações e comunicações criptografadas — serve como o fio de Ariadne para os investigadores. Enquanto a defesa da ex-assessora clama por uma atuação “técnica e impessoal”, o Ministério Público vê indícios de uma gestão clandestina de recursos públicos. A acareação servirá para determinar se Tuca agia sob ordens diretas ou se o sistema de emendas criou uma burocracia paralela que fugiu ao controle dos próprios líderes.
Consequências Geopolíticas Internas em 2026
A instabilidade gerada por essa investigação afeta diretamente a governabilidade do governo Lula 3 em 2026. Com o Congresso sob pressão judicial, a aprovação de reformas essenciais pode ser sequestrada pelo clima de revanchismo ou pela necessidade de autoproteção dos parlamentares. O orçamento secreto, que nasceu como uma ferramenta de governabilidade, transformou-se no principal agente de instabilidade institucional, provando que a opacidade na gestão pública sempre gera um passivo que, mais cedo ou mais tarde, é cobrado pelo Supremo Tribunal Federal.
Takeaways:
- Flávio Dino (STF) autorizou acareação entre Arthur Lira e José Rocha.
- Investigação foca em irregularidades no antigo Orçamento Secreto e emendas de comissão.
- Pela primeira vez, Lira prestará depoimento oficial à PF sobre alocação de verbas.
- A Operação Transparência analisa material apreendido com a ex-assessora Mariangela Fialek.
Fatos-chave:
- Data da decisão: 19 de janeiro de 2026 (mantida sob sigilo até 4 de fevereiro).
- Envolvidos: Arthur Lira (PP-AL), José Rocha (União-BA) e Mariangela Fialek (Tuca).
- Órgão investigador: Polícia Federal (PF) com apoio da PGR.
- Mecanismo investigado: Emendas de relator e emendas de comissão (2024).
- Local dos mandados: Gabinete da Presidência da Câmara e residências oficiais.
- Relator no STF: Ministro Flávio Dino.





