
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) elevou a temperatura política no Palácio Guanabara nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026. Por unanimidade, o plenário aprovou a abertura de uma investigação rigorosa sobre o destino de R$ 218 milhões da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), aplicados no Banco Master durante o exercício de 2023. O “Efeito Borboleta” desta auditoria pode desestabilizar a gestão financeira do governo Cláudio Castro, uma vez que o relator do caso, conselheiro Rodrigo Nascimento, classificou as transações como detentoras de “fortes indícios de irregularidades graves”.
A Rota do Dinheiro e o Fator Banco Master
As aplicações financeiras sob suspeita ocorreram em um período de intensa movimentação de caixa da Cedae, após os leilões de concessão. A escolha do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro, tornou-se o epicentro da denúncia protocolada pelo deputado estadual Luiz Paulo (PSD). Em 2026, o escrutínio sobre instituições financeiras de médio porte que captam recursos vultosos de empresas estatais tornou-se uma prioridade dos órgãos de controle, que buscam identificar se houve favorecimento político ou exposição temerária do patrimônio público a riscos de mercado injustificados.
Perspectivas Editoriais
O Rigor do Relator vs. O Corpo Técnico
Um detalhe crucial da sessão foi a divergência do relator, Rodrigo Nascimento, em relação às recomendações iniciais do corpo técnico do Tribunal. Ao optar por uma postura mais severa, Nascimento sinaliza que a análise preliminar dos documentos enviados pela Cedae não foi suficiente para dissipar as dúvidas sobre a viabilidade e a segurança das operações. A cobrança direta sobre a diretoria da companhia por “ausência de monitoramento” das aplicações sugere uma falha de governança que, no limite, pode levar à responsabilização solidária de gestores e à imposição de multas pesadas.
Cedae: Entre o Compliance e a Pressão Política
A defesa da Cedae, em nota oficial, ancora-se nas normas de compliance e governança vigentes. No entanto, em 2026, a pressão sobre as estatais do Rio de Janeiro é acentuada pela necessidade de transparência após sucessivos escândalos em gestões passadas. A entrega de documentos que comprovem a segurança das operações com o Banco Master será o divisor de águas: se ficar provado que o rendimento e o risco estavam desalinhados com a média do mercado, a tese de Luiz Paulo de que a Cedae serviu como “alavanca” financeira para terceiros ganhará força jurídica no Ministério Público.
O Impacto na Gestão Cláudio Castro
Para o governo Cláudio Castro, a abertura desta investigação no TCE-RJ é um revés reputacional em um momento em que o estado busca renegociar prazos do Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Qualquer sombra de má gestão em uma empresa do porte da Cedae afeta a confiança de investidores internacionais e a percepção de integridade da administração pública fluminense. O envolvimento de um banco que tem crescido agressivamente no cenário nacional, como o Master, adiciona uma camada de complexidade que exige que o Tribunal de Contas atue com celeridade para evitar que o passivo político contamine outros setores da economia fluminense.
Próximos Passos: Defesa e Notificações
Com a aprovação da investigação, o Tribunal emitiu notificações imediatas para que os responsáveis apresentem defesa em um prazo determinado. O foco da Polícia Federal e do Ministério Público — que acompanham desdobramentos de tribunais de contas — estará na análise dos fluxos de caixa e nas garantias oferecidas pelo Banco Master no momento das aplicações de 2023. Em 2026, o rigor fiscal não é apenas uma diretriz, mas uma questão de sobrevivência para o estado do Rio de Janeiro, que não suporta mais a reiteração de ciclos de suspeição sobre seus ativos hídricos e financeiros.
Takeaways:
- O TCE-RJ investiga por unanimidade aplicações de R$ 218 milhões da Cedae no Banco Master.
- O relator Rodrigo Nascimento divergiu do corpo técnico para aplicar ritos mais rigorosos.
- A denúncia original partiu do deputado Luiz Paulo (PSD), alegando irregularidades.
- A investigação foca na governança da Cedae durante o ano de 2023, sob o governo Castro.
Fatos-chave:
- Órgão de controle: Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
- Valor sob investigação: R$ 218.000.000,00.
- Instituição financeira envolvida: Banco Master (Daniel Vorcaro).
- Denunciante: Deputado Estadual Luiz Paulo (PSD).
- Relator do caso: Conselheiro Rodrigo Nascimento.
- Data da decisão: 4 de fevereiro de 2026.





