
A justiça brasileira e o mundo do entretenimento colidiram novamente nesta terça-feira (3) com a decretação da prisão do rapper Oruam (Mauro Davi dos Santos Nepomuceno). O ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), revogou o benefício da liberdade assistida do artista, transformando-o oficialmente em foragido da justiça. O estopim para a decisão foi um relatório técnico devastador: em um período de apenas 43 dias, o dispositivo de monitoramento eletrônico de Oruam registrou 28 interrupções de sinal. Para o magistrado, a frequência das “zonas de sombra” no GPS do rapper configura um descumprimento deliberado das medidas cautelares, e não meras falhas fortuitas do sistema.
Em uma tentativa de defesa pública, a equipe de Oruam divulgou um vídeo nas redes sociais onde o artista aparece tentando carregar o aparelho. Nas imagens, dois carregadores diferentes são conectados à tornozeleira sem que a luz indicadora de carga seja acionada, sugerindo um defeito de hardware. Contudo, para os órgãos de fiscalização, o vídeo é visto como uma estratégia de comunicação tardia, já que o protocolo de liberdade assistida exige que qualquer falha técnica seja comunicada imediatamente à central de monitoramento ou à autoridade policial — o que, segundo o processo, não ocorreu de forma satisfatória durante as dezenas de quedas de sinal registradas entre setembro e novembro.
Perspectivas Editoriais
Oruam, que é filho de Marcinho VP (liderança histórica de uma facção criminosa do Rio de Janeiro), já era alvo de investigações por associação ao tráfico, resistência e lesão corporal. A decisão do STJ coloca o rapper em uma posição delicada: enquanto sua carreira musical atinge picos de audiência, sua situação jurídica retrocede ao regime fechado. A Polícia Civil do Rio de Janeiro já iniciou buscas para cumprir o mandado de prisão. O caso levanta um debate sobre o uso de tecnologias de monitoramento em figuras públicas de alta mobilidade e a responsabilidade do custodiado em manter a integridade do equipamento que garante sua liberdade fora das grades.
Takeaways:
- Oruam teve a prisão decretada pelo STJ e é considerado foragido.
- O dispositivo registrou 28 violações em 43 dias (interrupção de sinal).
- Rapper alega defeito técnico e publicou vídeo tentando carregar o aparelho.
- A liberdade assistida, concedida em setembro de 2025, foi integralmente revogada.
Fatos-chave:
- Decisão assinada pelo Ministro Joel Ilan Paciornik em 2 de fevereiro de 2026.
- Crimes investigados: associação ao tráfico, desacato, ameaça e lesão corporal.
- Oruam é filho de Márcio dos Santos Nepomuceno (Marcinho VP).
- O monitoramento eletrônico é uma medida cautelar alternativa à prisão, baseada na confiança e disponibilidade técnica.





