
A disputa pelo controle do espaço aéreo e do fluxo econômico do Rio de Janeiro teve um desfecho político decisivo nesta terça-feira (3). O prefeito Eduardo Paes, após reunião direta com o presidente Lula no Palácio do Planalto, anunciou a revogação de um polêmico despacho da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A medida da agência, publicada em dezembro de 2025, abria brechas técnicas para a expansão da capacidade do Aeroporto Santos Dumont, o que, na visão da prefeitura e de especialistas do setor, representaria um “canibalismo” logístico capaz de esvaziar novamente o Aeroporto Internacional do Galeão. Com a anulação, o governo federal reafirma o compromisso com o modelo de operação coordenada, mantendo o Santos Dumont como um terminal de vocação regional e o Galeão como o grande hub internacional e de conexões do estado.
O imbróglio começou quando a Anac, em um movimento visto por Paes como uma capitulação aos interesses das grandes companhias aéreas (Azul, Gol e Latam), tentou reverter a restrição de 6,5 milhões de passageiros anuais no terminal do Centro. A reação do prefeito foi imediata e estratégica: acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) e escalou o tema para a presidência da República. A lógica é macroeconômica: a saúde financeira do Galeão, que registrou 14,6 milhões de viajantes em 2025, depende diretamente da limitação do Santos Dumont. Sem esse equilíbrio, o Rio de Janeiro corre o risco de perder voos internacionais e conexões de carga, que preferem operar em terminais com maior infraestrutura, mas que exigem um volume mínimo de passageiros domésticos para serem viáveis.
Perspectivas Editoriais
Para o cidadão e para o mercado global, a manutenção dessa política significa a preservação do Rio como um destino competitivo. O crescimento de quase 15 milhões de passageiros no Galeão em apenas dez meses de 2025 é a prova de que a intervenção estatal no equilíbrio entre aeroportos funcionou para corrigir uma distorção de mercado que perdurava por quase uma década. Ao garantir a revogação do despacho da Anac, Paes e Lula sinalizam que a infraestrutura do Rio de Janeiro não será mais tratada de forma fragmentada, mas como um sistema integrado onde o Santos Dumont oferece agilidade executiva e o Galeão garante a conexão do Brasil com o mundo.
Takeaways:
- Despacho da Anac que ampliava o Santos Dumont será revogado.
- Limite de 6,5 milhões de passageiros/ano no Santos Dumont está mantido.
- Galeão registrou forte recuperação em 2025, atingindo 14,6 milhões de viajantes.
- A medida evita a fragmentação da malha aérea e protege o hub internacional do Rio.
Fatos-chave:
- Reunião entre Paes e Lula ocorreu em 3 de fevereiro de 2026.
- Anac tentou mudar as regras de capacidade às vésperas do Natal de 2025.
- Paes havia acionado o TCU para barrar a expansão antes da conversa com Lula.
- A operação coordenada iniciada em 2024 é creditada pelo sucesso da retomada do Galeão.





