
O Palácio do Planalto decidiu transformar o fim da escala 6×1 no pilar central de sua agenda social e eleitoral para 2026. Em uma manobra estratégica para evitar o fracionamento de propostas no Congresso, o governo do presidente Lula iniciou uma articulação direta com a deputada federal Erika Hilton (PSOL). O objetivo é fundir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de Hilton — que incendiou as redes sociais no último ano — com projetos históricos, como o do senador Paulo Paim (PT), de 2015. A nova redação, construída a várias mãos no coração do poder, propõe uma mudança estrutural na CLT: a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, estabelecendo o fim definitivo do modelo que impõe apenas um dia de descanso para cada seis trabalhados.
A unificação dos textos sob a chancela do Executivo isola propostas vistas como “tímidas” ou excessivamente burocráticas, como o relatório do deputado Luiz Gastão, que tentava condicionar a escala 4×3 a negociações sindicais e mantinha 40 horas semanais. Para o governo, o tema deixou de ser apenas uma questão técnica de produtividade para se tornar uma poderosa ferramenta de mobilização. Com a presença de ministros como Luiz Marinho (Trabalho) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), o Planalto sinaliza que a “reforma do tempo livre” será o grande diferencial competitivo do discurso de reeleição de Lula, dialogando com uma classe trabalhadora exausta pela precarização.
Perspectivas Editoriais
Do ponto de vista macroeconômico, a proposta de transição gradual — inspirada no projeto de Reginaldo Lopes (PT) — busca mitigar os temores do setor empresarial sobre o custo da mão de obra. A ideia é que a adaptação ocorra ao longo de uma década, permitindo que a produtividade tecnológica compense a redução das horas presenciais. Se aprovada, a medida colocaria o Brasil na vanguarda das discussões globais sobre o futuro do trabalho, seguindo tendências já testadas em economias desenvolvidas. Contudo, o desafio agora é o embate no Congresso, onde a bancada empresarial promete resistência, utilizando o argumento da inflação de serviços para tentar desidratar o texto nas comissões.
Takeaways:
- Governo Lula unifica propostas de Erika Hilton, Paulo Paim e Reginaldo Lopes.
- O foco central é a redução da jornada para 36 horas semanais.
- A pauta foi incorporada como bandeira prioritária da campanha de reeleição de Lula.
- A proposta descarta o modelo de 40 horas semanais defendido por alas conservadoras.
Fatos-chave:
- Reunião decisiva ocorreu em dezembro com presença de Boulos, Luiz Marinho e Gleisi Hoffmann.
- PEC de Erika Hilton obteve recorde de engajamento digital em 2025.
- Projeto de Paulo Paim (2015) serve como base jurídica pela maturidade legislativa.
- Proposta de Reginaldo Lopes prevê transição escalonada em até 10 anos.





