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O EXPURGO DAS FARDAS

Fim da Linha: MPM pede cassação de patentes de Bolsonaro e Generais Golpistas

Superior Tribunal Militar (STM) inicia julgamento de indignidade que pode retirar postos, medalhas e soldos de oficiais condenados pelo STF.

4 de fevereiro de 2026

As Forças Armadas brasileiras enfrentam em 2026 seu mais profundo processo de depuração institucional desde a redemocratização. O Ministério Público Militar (MPM) protocolou oficialmente no Superior Tribunal Militar (STM) o pedido de perda de posto e patente do ex-presidente Jair Bolsonaro e de quatro figuras centrais de sua cúpula: os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Walter Braga Netto e o almirante Almir Garnier. O movimento ocorre após o trânsito em julgado das condenações no Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado, onde Bolsonaro foi sentenciado a 27 anos e três meses de reclusão por liderar uma tentativa de golpe de Estado.

O processo no STM não é uma nova análise penal — os crimes já estão selados pelo STF —, mas sim um rito disciplinar de “declaração de indignidade”. O tribunal militar avaliará se as condutas dos condenados são compatíveis com o oficialato, o decoro da classe e a manutenção da hierarquia. Na prática, a cassação da patente significa o “desligamento a bem da disciplina”, resultando na perda de honrarias, uniformes e, crucialmente, da remuneração (soldo) de oficial, que em muitos casos é transferida aos dependentes como se o militar tivesse falecido (“morte ficta”), embora este último ponto venha sendo alvo de crescente contestação jurídica.

POLíTICA

Perspectivas Editoriais

Nota do Editor: Análise de Contexto.
Impacto: A farda não pode servir de escudo para quem tentou rasgar a Constituição. Ao pedir a expulsão de Bolsonaro e seus generais, o MPM devolve às Forças Armadas a chance de se reconectarem com o seu dever republicano, limpando as fileiras de quem colocou o poder acima do juramento à bandeira.
A farda não pode servir de escudo para quem tentou rasgar a Constituição. Ao pedir a expulsão de Bolsonaro e seus generais, o MPM devolve às Forças Armadas a chance de se reconectarem com o seu dever republicano, limpando as fileiras de quem colocou o poder acima do juramento à bandeira.

A jurisprudência do STM é desfavorável aos réus. Dados históricos revelam que 86,5% dos oficiais que enfrentaram processos dessa natureza nos últimos oito anos acabaram expulsos das fileiras. Com a designação do tenente-brigadeiro Carlos Vuyk de Aquino como relator do caso de Bolsonaro, o tribunal sinaliza que o rito seguirá o rigor técnico esperado para a preservação da imagem das Forças Armadas. O julgamento é o capítulo final de uma crise que testou os limites da legalidade militar e agora busca reafirmar que o compromisso da farda é com a Constituição, e não com projetos de poder autocráticos.

Takeaways:

  • MPM pede a cassação das patentes de Bolsonaro, Heleno, Braga Netto, Nogueira e Garnier.
  • O processo de indignidade foca no aspecto disciplinar e ético do oficialato.
  • Bolsonaro, como capitão reformado, corre o risco de perder formalmente seu título militar.
  • Histórico do STM mostra que a vasta maioria desses processos termina em expulsão.

Fatos-chave:

  • Pedido protocolado em 3 de fevereiro de 2026 após condenações definitivas no STF.
  • Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão em regime fechado.
  • Cada réu terá um relator próprio sorteado eletronicamente no STM.
  • A Constituição permite a perda de patente para condenados a penas superiores a dois anos.
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