
A tentativa de parlamentares de abrir uma “caixa-preta” sobre as operações do Banco Master esbarrou na muralha burocrática da Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou nesta terça-feira (3) que o requerimento protocolado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) não terá tramitação especial. Sob o argumento de “zelo regimental”, Motta enviou o pedido para o final de uma fila que já acumula pelo menos 15 outras solicitações de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). A estratégia do comando da Câmara é clara: utilizar o Regimento Interno como escudo para evitar que temas explosivos — que envolvem desde o empresário Daniel Vorcaro até prejuízos estimados em R$ 5 bilhões no Banco de Brasília (BRB) — dominem a agenda legislativa em um ano de 2026 marcado por tensões políticas.
O Regimento Interno da Câmara (RICD) é taxativo: o Artigo 35, § 4º, limita a cinco o número de CPIs que podem funcionar simultaneamente. Como a Casa passou o último ano sem instalar colegiados, o represamento de pedidos criou um congestionamento administrativo que serve perfeitamente aos interesses de quem busca postergar as investigações. Parlamentares que defendem a CPI argumentam que o “fato determinado” — fraudes bilionárias e uso de carteiras de crédito falsas — é urgente e não deveria ser submetido a uma fila de espera meramente cronológica. Contudo, sem o despacho de leitura em plenário por parte de Motta, as 201 assinaturas recolhidas tornam-se apenas um gesto simbólico de pressão política.
Perspectivas Editoriais
Enquanto a Câmara “cozinha” o pedido em banho-maria, o foco das investigações sobre o Banco Master desloca-se para outras frentes. A Polícia Federal e o Banco Central (que decretou a liquidação da instituição em novembro de 2025) avançam com inquéritos sigilosos, e o próprio BRB já encaminhou “achados relevantes” de sua auditoria interna às autoridades. Nos bastidores do Congresso, a resistência de Hugo Motta é vista como um movimento para proteger a governabilidade e evitar desgastes com o setor financeiro e com o governo do Distrito Federal. Se a CPI do Master for de fato enterrada na fila parlamentar, o ônus da investigação recairá inteiramente sobre o Judiciário e os órgãos de controle, deixando o Legislativo como um espectador passivo de um dos maiores escândalos financeiros da década.
Takeaways:
- Hugo Motta afirma que a CPI do Banco Master deve respeitar a ordem cronológica (15ª na fila).
- O Regimento Interno permite apenas 5 CPIs simultâneas na Câmara.
- O pedido de Rodrigo Rollemberg tem 201 assinaturas, superando o mínimo de 171.
- A investigação mira rombo bilionário e operações suspeitas entre o Master e o BRB.
Fatos-chave:
- Requerimento protocolado em 2 de fevereiro de 2026 por Rollemberg.
- Daniel Vorcaro, controlador do Master, foi preso em novembro de 2025 e usa tornozeleira.
- O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master após identificar fraudes.
- O prejuízo potencial ao BRB é estimado em cerca de R$ 5 bilhões por diretores do BC.





