A imagem de Carlo Ancelotti, o “Mister”, brindando no Camarote Bar Brahma em meio ao desfile das escolas de samba de São Paulo, neste sábado (14), é mais do que um registro de lazer; é uma peça de engenharia social e esportiva. Sob a campanha “Tá Liberado Acreditar”, a gigante Brahma assumiu a curadoria de uma imersão profunda para o técnico da Seleção Brasileira.
A premissa é clara: para comandar a Amarelinha rumo ao Hexa em 2026, não basta dominar o 4-3-3 europeu; é preciso compreender a síncope, o suor e a catarse coletiva que definem o DNA do povo brasileiro. O Carnaval, portanto, deixa de ser feriado para se tornar laboratório antropológico.
Ao lado de ícones da resistência e do triunfo nacional como Denilson Show, Júnior e Vampeta, Ancelotti foi confrontado com a história viva do nosso futebol. Esses encontros, mediados pelo samba, servem para desmistificar o rigor tático do Velho Continente e humanizar o projeto da CBF. A estratégia de marketing da Brahma, parceira histórica da Seleção, utiliza o Sambódromo do Anhembi como um palco de legitimação. Ao filmar e fotografar os desfiles com entusiasmo genuíno, o italiano sinaliza ao torcedor que o comando técnico agora tem, também, um componente afetivo e cultural.
O Hexa como Projeto de Soberania Cultural
A jornada de Ancelotti — que já passou por Salvador e agora ruma para a Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro — redesenha a relação entre o técnico estrangeiro e a identidade nacional. No contexto progressista, a vinda de um treinador de elite europeu poderia ser lida como um novo ciclo de colonização esportiva. Entretanto, o “intensivão de brasilidade” promovido nestes dias de folia inverte essa lógica: é o estrangeiro que deve se curvar e aprender com as tecnologias sociais e artísticas do Brasil. O Carnaval é a maior dessas tecnologias, uma demonstração de organização popular e resistência que Ancelotti precisa absorver para liderar um grupo que representa 200 milhões de vozes.
Análise & Contexto
A presença do Mister no Camarote Bar Brahma reforça que o futebol no Brasil é indissociável da vida pública e das manifestações de massa. Não há como gerir o talento de jogadores que nasceram na batida do surdo sem entender o peso dessa herança. A alegria de Ancelotti no Anhembi é a garantia de que, taticamente, o Brasil pode ser global, mas emocionalmente, ele continuará sendo inegociavelmente brasileiro.
A Indústria da Alegria e o Mercado do Futebol
A conexão entre a cervejaria e a Seleção Brasileira através do “Mister” também revela a força da indústria criativa. O Carnaval paulistano, muitas vezes subestimado em relação ao carioca, mostrou sua potência técnica e visual para o treinador. Essa movimentação de Ancelotti pelos camarotes e trios elétricos é um manifesto contra o distanciamento da elite esportiva. Se o futebol é a religião laica do país, o Carnaval é sua procissão mais sagrada. Ao participar dela, Carlo Ancelotti recebe as chaves simbólicas do país, tornando-se, finalmente, um cidadão da República Federativa do Futebol.
Takeaways:
- A imersão cultural de Ancelotti visa diminuir o distanciamento entre a tática europeia e a essência do jogador brasileiro.
- O encontro com Denilson, Júnior e Vampeta conecta o técnico à linhagem vitoriosa da Seleção.
- A campanha “Tá Liberado Acreditar” utiliza o Carnaval como ferramenta de marketing emocional para a Copa de 2026.
- O roteiro Salvador-São Paulo-Rio consolida a imagem do “Mister” como um líder integrado à diversidade regional do país.
Fatos-chave:
- Local: Camarote Bar Brahma, Sambódromo do Anhembi (SP).
- Presenças: Carlo Ancelotti, Denilson Show, Júnior e Vampeta.
- Agenda: Salvador (Sexta), São Paulo (Sábado), Rio de Janeiro/N1 (Domingo).
- Campanha: “Tá Liberado Acreditar” (Brahma/Seleção Brasileira).
- Objetivo: Promover um “intensivão de brasilidade” no técnico da Seleção.
- Data do registro: 14 de fevereiro de 2026.









