Brasília, 18 de junho de 2025 – O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) confirmou que os aposentados e pensionistas vítimas dos descontos indevidos aplicados nos últimos anos serão ressarcidos em parcela única. Segundo o presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, os pagamentos serão organizados em lotes quinzenais, mas todos os segurados lesados receberão seus valores de uma só vez, sem qualquer tipo de parcelamento.
O cronograma de pagamento ainda será divulgado, mas a promessa é de que a devolução aconteça o mais rápido possível. “Nosso objetivo é indenizar integralmente e virar a página desse episódio lamentável que prejudicou milhões de beneficiários”, afirmou Waller.
Como será feito o pagamento
O plano do INSS prevê a abertura de lotes a cada 15 dias, contemplando todos os segurados que comprovarem terem sido vítimas das fraudes. Não haverá prioridade por ordem de entrada, idade ou outro critério: todos que estiverem na mesma condição receberão os valores de uma única vez.
“Queremos que esse dinheiro volte rápido para quem foi prejudicado. Aposentados e pensionistas dependem disso para viver, comprar remédios, se alimentar. O Estado não vai deixar essas pessoas no prejuízo”, reforçou o presidente do órgão.
Entenda as três etapas do ressarcimento
O processo de devolução dos valores segue três fases definidas pelo INSS:
- Primeira etapa: O governo federal reteve, em abril, cerca de R$ 292 milhões que seriam repassados a entidades suspeitas de realizar os descontos indevidos. Esses recursos já começaram a ser devolvidos aos beneficiários entre maio e junho.
- Segunda etapa: Está em andamento. Nesta fase, as entidades que não apresentaram documentação válida para justificar os descontos são obrigadas a devolver os valores. O INSS gera uma guia de pagamento, e o dinheiro é repassado diretamente aos aposentados e pensionistas lesados.
- Terceira etapa: É destinada aos casos em que não houve resposta das entidades, ou quando ficou comprovado que os descontos foram realmente irregulares. Nessa situação, o próprio governo federal assume o ressarcimento, com um cronograma que será divulgado em breve.
Fraude bilionária e milhões de vítimas
A crise no INSS ganhou proporções gigantescas após a deflagração da Operação Sem Desconto, em abril, conduzida pela Polícia Federal. As investigações identificaram uma fraude estimada em R$ 6,3 bilhões, ocorrida entre 2019 e 2024, envolvendo descontos não autorizados na folha de pagamento de aposentados e pensionistas.
O esquema operava por meio de entidades associativas que, sem consentimento dos segurados, passaram a realizar cobranças diretamente no benefício mensal dos aposentados.
De acordo com dados da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal, aproximadamente 4,1 milhões de pessoas foram diretamente afetadas ou potencialmente atingidas pela fraude.
Contestação segue aberta
Desde o início das investigações, o INSS convocou 9,3 milhões de segurados para verificar se sofreram descontos indevidos. Até o momento, 3,2 milhões de pessoas formalizaram pedidos de contestação — número bastante próximo da projeção inicial de atingidos.
O órgão reforça que os canais de contestação seguem abertos. A verificação pode ser feita de forma simples, pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135. A recomendação é que todos os beneficiários revisem seus extratos e, caso identifiquem algum desconto sem autorização, façam imediatamente a solicitação de devolução.
Governo corre contra o tempo
Segundo Gilberto Waller Júnior, a prioridade é acelerar o processo de ressarcimento para aliviar os impactos financeiros causados aos segurados. “Nosso aposentado e pensionista não pode esperar. Eles precisam desse dinheiro para sobreviver. O Estado está atento e comprometido em reparar esse dano”, afirmou.
O Diário Carioca segue acompanhando os desdobramentos e trará atualizações assim que o cronograma de pagamentos for oficialmente divulgado.

