O labirinto tributário brasileiro começou a ser redesenhado neste mês de janeiro de 2026.
Em um movimento que mistura alívio direto no bolso do trabalhador e uma complexa reengenharia sistêmica para as empresas, o país deu o primeiro passo real rumo ao IVA (Imposto sobre Valor Agregado).
Para o contribuinte que ganha até R$ 5 mil, a notícia é de celebração imediata: a isenção integral do Imposto de Renda já vale para os salários deste mês, uma promessa histórica que finalmente sai do papel para tentar recompor o poder de compra da classe média.
No entanto, por trás do alívio individual, as empresas enfrentam o “ano do aprendizado”. A fase de testes da Reforma Tributária instituiu uma alíquota simbólica de 1% (0,9% para a CBS federal e 0,1% para o IBS estadual/municipal).
Embora o governo assegure a neutralidade — permitindo que esse 1% seja abatido do PIS/Cofins —, o desafio é tecnológico. Softwares de gestão e sistemas fiscais precisam ser recalibrados para uma realidade onde, até 2033, os velhos conhecidos ICMS e ISS deixarão de existir.
O escárnio pedagógico desta transição recai sobre o setor produtivo e as altas rendas. Enquanto o pequeno produtor rural com faturamento de até R$ 3,6 milhões respira com a isenção, os grandes players do agronegócio observam com lupa a escada do IVA, que pode chegar a 28%.
No topo da pirâmide social, a conta também chegou: a tributação sobre dividendos e rendas superiores a R$ 1,2 milhão anual servirá como o contrapeso para a renúncia fiscal da base.
Como bem alertam os especialistas, estamos no “escuro” de algumas regulamentações; o planejamento tributário não é mais um luxo, mas uma estratégia de sobrevivência para o empresário que não quer ser engolido pela nova lógica do crédito e débito.

