O mercado financeiro amanheceu nesta segunda-feira, 26 de janeiro, praticando o seu esporte favorito: a cautela estratégica.
Em uma manhã de oscilações contidas, o dólar operava em queda de 0,16%, orbitando a casa dos R$ 5,27, refletindo o silêncio que precede a “superquarta”.
Para o trabalhador que acompanha a flutuação do câmbio como quem vigia o preço do pão, esse recuo momentâneo é menos uma vitória da economia real e mais um ajuste de posições dos grandes detentores de capital antes do veredito dos bancos centrais.
O cenário é de expectativa absoluta. Na quarta-feira (28), o Brasil e os Estados Unidos divulgarão suas novas taxas de juros de forma simultânea. Embora os analistas da Faria Lima e de Wall Street apostem na manutenção das taxas atuais, o nervosismo é latente.
No Brasil, o Copom se equilibra entre o controle inflacionário e as pressões por crescimento, enquanto nos EUA, o Federal Reserve tenta domar uma economia que dá sinais de fadiga institucional.
O fato de o dólar acumular uma queda de 3,68% neste início de 2026 frente ao real não deve ser lido como um selo de estabilidade eterna.
Pelo contrário: com o ouro rompendo os US$ 5 mil (conforme noticiamos mais cedo), a queda da moeda americana frente ao real parece ser mais um reflexo da fragilidade do dólar global do que propriamente uma pujança da nossa moeda local.
O mercado está, essencialmente, prendendo a respiração. Qualquer vírgula fora do lugar nos comunicados de quarta-feira pode transformar este recuo de centavos em uma nova escalada de volatilidade.





