Enquanto o sistema financeiro ocidental ensaia sua mais nova pirueta rumo ao abismo, o ouro — esse velho relíquia bárbara, como diriam os economistas liberais de outrora — acaba de dar sua resposta definitiva.
Nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, o metal precioso rompeu a barreira mítica dos US$ 5 mil por onça-troy, renovando sua máxima histórica. Para o trabalhador que observa o preço dos alimentos subir enquanto o valor do dinheiro derrete, o recado é pedagógico: quando os donos do mundo perdem a confiança entre si, eles correm para o que é tangível, deixando para trás o papel pintado que chamam de moeda.
A alta não é apenas um fenômeno de oferta e procura; é um sintoma clínico de uma profunda crise de confiança no governo dos Estados Unidos.
A aversão ao risco não é mais uma “onda passageira”, mas um tsunami provocado pela instabilidade política e pela percepção de que a dívida americana tornou-se um castelo de cartas.
No tabuleiro da geopolítica, o ouro funciona como o termômetro do pânico: quanto mais alto o preço do metal, menor é a temperatura da segurança global.
O movimento reflete o desespero por uma reserva de valor real. Em tempos de incerteza econômica, o capital não busca “inovação” ou “tecnologia”, busca sobrevivência.
Enquanto os EUA tentam ditar regras territoriais — como a patética tentativa de anexação da Groenlândia — o mercado responde com a fuga para o ouro, sinalizando que a hegemonia do dólar está sendo desafiada não apenas por blocos rivais, mas pela própria realidade física das finanças.
Para o Diário Carioca, este recorde é a prova de que o brilho do ouro é, na verdade, o reflexo do incêndio que consome a ordem econômica tradicional.





