Com olhar sobre o feminino, mostra de cinema árabe é aberta

Por ● Fato Verificado JR Vital — Analista Geopolítico Leia também Trump ameaça tarifas de 100% ao Canadá para barrar aproximação com a China Dinamarca e OTAN aumentam presença militar no Ártico após pressão dos EUA JR Vital Analista Geopolítico Jornalista do Diário Carioca. 𝕏 in Publicado em 01/09/2023 · Atualizado em 10/01/2026 Elas são três irmãs vivendo ao redor da família em um vilarejo tranquilo nas montanhas libanesas. Em um mundo de casamentos arranjados e negociados com dotes, uma delas, Layla, habita entre a insatisfação da vida conjugal e o deleite de ser mãe de um menino de sete
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● Fato Verificado


JR Vital
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— Analista Geopolítico

JR Vital

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Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

Elas são três irmãs vivendo ao redor da família em um vilarejo tranquilo nas montanhas libanesas. Em um mundo de casamentos arranjados e negociados com dotes, uma delas, Layla, habita entre a insatisfação da vida conjugal e o deleite de ser mãe de um menino de sete anos. Até que a visita de dois franceses mexe com a rotina da família e apresenta àquelas mulheres vidas diferentes do sistema de patriarcado no qual elas estão inseridas. Com esse enredo, a 18ª Mostra Mundo Árabe de Cinema foi aberta nesta quinta-feira (31) pela noite com sala lotada no Cinesesc, na capital paulista. O primeiro filme da programação, Ventre Materno, de Líbano e França, dirigido por Carlos Chahine, foi uma demonstração do que poderá ser visto na mostra até 06 de setembro: produções desvendando as rotinas dos lares e cidades árabes, mas permeadas por uma discussão profunda sobre as sociedades e as questões geopolíticas da região. Em Ventre Materno, de 2023 e inédito no Brasil, a ambientação é 1958 e o Líbano vive em meio a um conflito religioso entre cristãos e muçulmanos. Naquele momento a crise não está diretamente no vilarejo, se centra na capital, Beirute, mas respinga na convivência do pequeno lugar, quando um muçulmano que convive com a família cristã se retira do ambiente por uma discussão religiosa. Os franceses também apresentam àquela família seu modo de vida, de muitos divórcios e viagens pelo mundo, o que mexe com a dona de casa Layla. Na abertura da mostra, o curador Arthur Jafet falou sobre a seleção dos filmes e a importância do incentivo às artes no mundo árabe, segundo ele repleto de desafios atualmente, mas capaz de se reinventar. “A expressão criativa é uma ferramenta extremamente poderosa que hoje mais que nunca exige nosso endosso e apoio. Capacitar a produção cultural independente é crucial para criar sociedades vibrantes” disse Jafet, também diretor de Relações Nacionais do Instituto da Cultura Árabe (Icarabe), que promove a mostra com o Sesc São Paulo. LEIA: A mulher e o Líbano de 1958 na abertura da Mostra do Cinema Árabe em São Paulo “Mudanças no mundo se refletem no âmbito da criação artística”, disse na abertura o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Osmar Chohfi. A Câmara Árabe é patrocinadora da mostra por meio do seu braço cultural, a Casa Árabe. Chohfi lembrou que o evento marca os 20 anos da morte do intelectual palestino Edward Said. “Grande orientalista, grande ativista da cultura oriental que se destacou no campo acadêmico internacionalmente”, falou Chohfi. Said e suas ideias deram origem à criação do Icarabe. A diretora cultural do instituto, Soraya Misleh, falou sobre essa história na abertura da mostra. “Surgiu a partir dessa indignação de como éramos retratados e como somos retratados”, disse Misleh sobre o estereótipo construído sobre o Oriente ao qual Edward Said se contrapunha: “Um Oriente inventado, de bárbaros, não civilizados, afeitos à violência por natureza, que, portanto, precisam ser controlados, em contraposição ao Ocidente de racionais, civilizados, lógicos”, descreveu Misleh. Falando em nome do Cinesesc, o gerente Gilson Parker lembrou que a Mostra Mundo Árabe de Cinema chegou aos seus 18 anos, a maioridade. Ele disse que ela tem sido profícua para explorar a diversidade do mundo árabe, que por vezes é desconhecido, apesar da proximidade que há em São Paulo com as comunidades árabes. “Eu costumo dizer que o Cinesesc tem uma porta para a rua Augusta e uma janela para o mundo”, falou. O Cinesesc fica na rua Augusta. A Mostra Mundo Árabe de Cinema traz 10 filmes inéditos de países árabes ou coproduzidos com árabes. Três têm participação palestina, o que foi pensado em função de Edward Said. Um deles é A Bandeira, que narra a rotina de estudantes que resolvem substituir a bandeira na véspera do Dia da Independência de Israel. Outro é Jardins Suspensos, sobre o menino que encontrou uma boneca sexual em lixo em Bagdá, e outro é Uma casa em Jerusalém, no qual uma garota se muda da Inglaterra para Jerusalém, onde tenta curar as feridas da morte da mãe. A programação inclui dois debates nesta sexta-feira (01) e na próxima terça-feira (05). Além da Câmara Árabe, também é patrocinador o Instituto do Sono. A mostra tem ainda apoio da Cátedra Edward Said de Estudos da Contemporaneidade e Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), CineFértil e Editora Tabla. LEIA: Conferência Arab Latinos! discute os deslocamentos Serviço: 18ª Mostra Mundo Árabe de Cinema De 31 de agosto a 06 de setembro CineSesc – Rua Augusta, 2075, Cerqueira César – São Paulo Programação aqui Ingressos: R$ 24 (inteira), R$ 12 (meia) e R$ 8 (credencial do Sesc). Publicado originalmente em ANBA

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