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Reciprocidade

Lula sela isenção de vistos para chineses em xeque-mate de reciprocidade

Medida espelha decisão de Pequim e visa destravar o fluxo de turismo e negócios entre as duas potências do BRICS.

Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

O governo brasileiro oficializou nesta sexta-feira (23) a concessão de isenção de vistos de curta duração para cidadãos chineses.

O anúncio, feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após conversa direta com Xi Jinping, não é apenas um gesto de cortesia diplomática, mas um movimento calculado de reciprocidade técnica.

Após décadas de burocracia rígida, o Brasil finalmente alinha sua política migratória ao novo eixo econômico global, respondendo à abertura que Pequim já havia sinalizado para os brasileiros em 2025.

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A decisão marca o fim de uma era de assimetria nas viagens entre os dois países. Até então, o fluxo de investidores e turistas chineses para o Brasil esbarrava em processos consulares lentos, contrastando com a agressividade chinesa em atrair parceiros comerciais.

Com a nova regra, o Brasil tenta abocanhar uma fatia do maior mercado emissor de turistas do mundo, enquanto facilita a entrada de capital humano chinês para projetos de infraestrutura e tecnologia em solo nacional.

O Princípio da Reciproca: Por que o Brasil abriu as fronteiras agora?

No jornalismo oficial, fala-se em “fortalecer laços”. Na verdade técnica, o Brasil está apenas aplicando o princípio básico da diplomacia: a reciprocidade. Em 2025, a China deu o primeiro passo ao permitir que brasileiros entrassem no país por até 30 dias sem visto para fins de turismo, negócios e intercâmbio.

Manter a exigência de visto para chineses após essa concessão seria um erro estratégico que poderia esfriar negociações comerciais bilionárias. O governo brasileiro entendeu que a facilitação migratória é uma infraestrutura invisível, mas essencial para o comércio exterior.

Quais categorias de viagem serão beneficiadas pela isenção?

A isenção brasileira seguirá rigorosamente os moldes da oferta chinesa. Estão contempladas viagens de até 30 dias para turismo, prospecção de negócios, visitas familiares e trânsito aeroportuário.

A medida remove o “pedágio” burocrático para o executivo chinês que precisa visitar uma fábrica em São Paulo ou para o grupo de turistas que deseja gastar em moeda forte no Rio de Janeiro. É a simplificação do fluxo em nome do superávit.

O impacto econômico esperado com o fim dos vistos

O setor hoteleiro e de serviços brasileiro projeta um crescimento exponencial com a entrada facilitada de cidadãos chineses.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil, e a circulação de pessoas é o lubrificante necessário para que os contratos assinados no papel se transformem em execução prática.

Onde o visto era um entrave para pequenas e médias empresas chinesas explorarem o mercado brasileiro, agora há um corredor aberto.

A geopolítica por trás da ligação entre Lula e Xi Jinping

O anúncio via telefone entre os dois líderes sublinha a importância que o Brasil atribui à China no atual cenário de multipolaridade.

Ao alinhar políticas de fronteira, Lula sinaliza que o Brasil não apenas deseja vender commodities, mas quer se integrar fisicamente ao fluxo global de serviços e inovação chinês.

É uma resposta direta ao isolacionismo de outros blocos, posicionando o Brasil como o porto seguro dos investimentos orientais na América Latina.

Fluxo Bilateral de Viagens (Estimativa) Brasil para China (Sem Visto) China para Brasil (Sem Visto – NOVO)

Entre a facilitação e a segurança

A hipocrisia institucional frequentemente confunde segurança nacional com barreira burocrática. Durante anos, o argumento da “segurança” foi usado para frear vistos que, na prática, eram apenas entraves arrecadatórios.

A isenção prova que, quando há interesse econômico real, a tecnologia de controle de fronteiras supera a necessidade do selo no passaporte.

O desafio agora será a infraestrutura aeroportuária brasileira suportar o aumento de demanda que a “canetada” de Lula e Xi Jinping irá provocar.

1. Chinês precisa de visto para vir ao Brasil agora?

Não para estadias de curta duração (até 30 dias) com fins de turismo, negócios ou trânsito. A regra espelha o que a China já oferece aos brasileiros.

2. Qual o prazo máximo de permanência sem visto?

O limite estabelecido é de 30 dias, seguindo o padrão de reciprocidade estabelecido por Pequim no ano anterior.

3. A isenção vale para trabalho permanente?

Não. Vistos de residência, trabalho de longa duração ou estudos prolongados continuam exigindo os trâmites consulares normais e documentação específica.

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