O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou nesta terça-feira (13) que a ilha mantém sua decisão inabalável de permanecer vinculada à Dinamarca, rejeitando categoricamente as investidas expansionistas de Donald Trump.
Em um cenário de crescentes tensões diplomáticas, Nielsen afirmou que, diante de qualquer ultimato entre Copenhague e Washington, a escolha groenlandesa recairá sobre o Reino dinamarquês.
O governo local busca estancar as especulações de anexação que voltaram a ecoar na Casa Branca, tratando-as como anacronismos geopolíticos.
A manifestação oficial ocorre às vésperas de uma reunião estratégica em Washington, onde ministros da Groenlândia e da Dinamarca enfrentarão autoridades norte-americanas para discutir a segurança no Ártico.
Embora o movimento separatista em Nuuk mantenha o debate sobre uma independência futura em pauta, o consenso atual entre lideranças e a população é de que a segurança jurídica, social e econômica oferecida pela Dinamarca é inegociável.
A ilha reforça seu papel estratégico na OTAN, mas recusa-se a ser tratada como um ativo imobiliário ou uma colônia de mineração para os interesses estadunidenses.
A resistência groenlandesa sublinha a importância da estabilidade no Ártico em 2026, uma região que se tornou o novo tabuleiro da disputa por recursos naturais e rotas comerciais.
Ao reafirmar o pacto com a Dinamarca, Nuuk envia um sinal claro: a autonomia conquistada não está à venda.
A cautela dos moradores reflete o temor de que a influência dos EUA resulte na precarização dos serviços públicos e na exploração desenfreada do território, em contraste com o modelo de bem-estar social nórdico que sustenta a ilha atualmente.
O corretor de imóveis do Apocalipse
Donald Trump parece não ter aprendido que o mundo não é um cassino em Atlantic City. Ao insistir na “compra” da Groenlândia, o presidente norte-americano não apenas ignora a autodeterminação dos povos, mas exibe um imperialismo cafona que subestima a inteligência escandinava.
A Groenlândia não é um terreno baldio para instalar campos de golfe ou bases militares de última geração; é uma nação que prefere a civilidade de Copenhague à arrogância predatória de Washington.
Xadrez no Ártico: Dinamarca vs. EUA
| Pilar de Influência | Modelo Dinamarquês (Status Quo) | Modelo Americano (Ameaça) |
| Soberania | Autonomia com proteção constitucional. | Anexação territorial e perda de voz própria. |
| Economia | Subsídios e Estado de Bem-Estar Social. | Exploração privada de terras raras e petróleo. |
| Defesa | Cooperação via OTAN e Comando Ártico. | Militarização intensa e isolacionismo. |
| Cultura | Preservação da identidade Inuit. | Assimilação cultural e comercial. |
A barreira de gelo diplomática
O encontro em Washington será o teste de fogo para a diplomacia dinamarquesa. Jens-Frederik Nielsen sabe que estar na OTAN é uma necessidade, mas ser engolido pelos EUA é uma tragédia evitável.
A Groenlândia de 2026 escolhe o frio previsível da Europa ao calor sufocante de uma administração que enxerga o mapa mundi como um portfólio de investimentos. No Diário Carioca, saudamos a dignidade de quem não se deixa comprar por quem acha que tudo tem preço, mas nada tem valor.





