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Sem Wi-Fi na Cela: PGR barra Smart TV para Bolsonaro, mas libera visitas de pastores “amigos”

A vida na Superintendência da Polícia Federal em Brasília não está fácil para quem um dia governou o país pelo Twitter. Nesta quarta-feira (14), a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou um balde de água fria digital para a cela de Jair Bolsonaro.

O procurador-geral Paulo Gonet manifestou-se terminantemente contra o pedido da defesa para a instalação de uma Smart TV com acesso à internet. Para Gonet, o direito à informação não dá salvo-conduto para o trânsito livre na rede mundial de computadores — um território onde, convenhamos, o “Capitão” sempre se sentiu mais à vontade do que na realidade dos fatos.

Se a Smart TV foi vetada para evitar que o ilustre detento continue a disparar suas “lives” ou coordenar o que resta de sua militância digital, a PGR abriu as portas para o conforto da alma. A pedido da senadora Damares Alves — aquela que Malafaia agora chama de “linguaruda” —, Gonet deu aval para que Bolsonaro receba assistência religiosa.

Os “capelães” escolhidos são velhos conhecidos: o bispo Robson Rodovalho e o pastor-deputado Thiago Manzoni. A “Navalha Carioca” não perdoa: em 2026, Bolsonaro troca o cercadinho pelo púlpito privativo, mantendo a tradição de usar a fé como o único anteparo contra a solidão do cárcere.

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A condenação de 27 anos e 3 meses exige disciplina, não entretenimento via streaming. A PGR foi generosa ao aceitar a remição de pena por leitura — uma oportunidade única para que o ex-presidente, finalmente, dedique tempo ao estudo de clássicos que não sejam manuais de intervenção militar. Alexandre de Moraes, o “Xerife” do STF, terá a palavra final, mas o parecer de Gonet já desenha o cenário: em Brasília, o ex-presidente terá Bíblia e livros, mas o Wi-Fi continuará sendo um privilégio dos cidadãos que respeitam as quatro linhas da Constituição.

O Cardápio do Cárcere: O que Bolsonaro ganhou e o que perdeu

A manifestação da PGR baliza as condições de cumprimento de pena do líder da extrema-direita:

Pedido da DefesaParecer da PGR (Paulo Gonet)Status Final (Decisão de Moraes)
Smart TV com InternetIndiferidoAguardando despacho.
Remição por LeituraFavorávelProvável aprovação via CNJ.
Visitas de PastoresFavorávelRodovalho e Manzoni autorizados.
Acesso a NoticiárioPermitido por meios tradicionais.Sem conexão direta com a web.

A “Capelania de Conveniência”

A escolha de Rodovalho e Manzoni para a assistência religiosa não é espiritual, é política. Damares Alves, ao articular essa visita, tenta manter o cordão umbilical entre o preso mais famoso do país e o eleitorado evangélico, que começa a ver seus líderes (como Zettel e Valadão) sob a mira da PF no caso Banco Master. Bolsonaro quer a TV para não se sentir isolado, mas a PGR entendeu que o isolamento digital é parte intrínseca da punição para quem usou a rede para flertar com o golpismo.

Quanto à leitura para remir a pena, fica a sugestão da “Navalha”: que o ex-presidente comece pela Declaração Universal dos Direitos Humanos ou pelo Código Penal, obras que ele parece ter ignorado durante quatro anos de mandato. O Brasil de 2026 assiste à justiça sendo feita com o rigor que a democracia exige: sem privilégios tecnológicos, mas com o respeito aos direitos fundamentais que o próprio réu tantas vezes questionou para seus opositores.


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