O “reino” bolsonarista vive seu momento de maior desordem sob o sol de 2026. Em um espetáculo de autofagia explícita, o pastor Silas Malafaia — sempre pronto para usar o volume da voz como escudo institucional — partiu para o ataque frontal contra a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). O motivo do ódio santo? A “terrivelmente cristã” senadora ousou confirmar o que o Diário Carioca e a Polícia Federal já vinham desenhando: o uso de igrejas e grandes líderes evangélicos para operar fraudes contra aposentados no escândalo do Banco Master e da “farra do INSS”.
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O nexo profundo entre a Igreja da Lagoinha, o rombo do Banco Master e o clã Valadão
Malafaia, em uma reação que mistura desespero e tática de intimidação, chamou Damares de “linguaruda” e a desafiou a dar nomes aos bois. Para o líder da Vitória em Cristo, a fala da senadora ao SBT News — onde ela revelou que pastores pedem para “não investigar para não decepcionar fiéis” — é uma traição de classe. O que Malafaia chama de “afronta” é, na verdade, a quebra de um pacto de silêncio que mantinha as sacristias blindadas contra o Código Penal. Se Damares, que conhece os porões do Ministério da Família e as conexões da Lagoinha com o clã Valadão, resolveu abrir o bico, é porque a água bateu no pescoço de todos.
Não é sobre moralidade, é sobre sobrevivência jurídica. Malafaia sabe que, se a CPMI do INSS seguir o rastro das fintechs confessionais como a Clava Forte, o próximo mandado de busca e apreensão pode não parar em Minas Gerais. Ao atacar Damares com o mesmo tom machista e autoritário que usou em 2022, ele tenta isolar a senadora e descredibilizar a investigação. Mas, para quem já está sob a mira da PF, o grito de Malafaia soa apenas como o ruído de uma estrutura que está ruindo por dentro.
O Racha no Bunker Bolsonarista
A briga entre Malafaia e Damares revela as fissuras no apoio evangélico ao projeto de poder que ainda tenta sobreviver em 2026:
| Personagem | Postura no Caso Master/INSS | Objetivo da Narrativa |
| Silas Malafaia | Negacionismo agressivo; ataque à denunciante. | Preservar a imunidade (fiscal e penal) das grandes igrejas. |
| Damares Alves | Admitiu o esquema para se salvar politicamente. | Afastar-se do “incêndio” que consome o clã Valadão e Vorcaro. |
| A Denúncia | Igrejas usadas para descontos indevidos em benefícios. | Rastrear a lavagem de dinheiro via dízimos e fintechs. |
| O Histórico | Aliados de Bolsonaro e críticos pontuais entre si. | Disputa de hegemonia sobre a “massa de fiéis” bolsonarista. |
Hipocrisia no Púlpito
O termo “linguaruda” usado por Malafaia é de uma ironia pedagógica. No Rio de Janeiro de 2026, língua comprida é o que não falta para quem passou anos usando o nome de Deus para eleger políticos que agora são alvos da operação Compliance Zero. Damares, que sempre foi mestre em criar narrativas fantasiosas (como a da ilha de Marajó), parece ter encontrado uma verdade inconveniente demais para os seus pares: o dinheiro dos aposentados financiou a “vida de rei” de pastores-investidores como Fabiano Zettel.
Malafaia exige nomes? Eles já estão nos autos da PF. Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, André Valadão e os operadores das corretoras do Master são os personagens principais dessa ópera bufa. A reação furiosa do pastor apenas confirma que o medo de que a “igreja-negócio” seja finalmente tributada e criminalizada é real. Quando a “irmã” Damares começa a falar, é sinal de que o “milagre” da impunidade está perdendo a validade.





