Vitória de Lula

União Europeia aprova acordo com o Mercosul

UE destrava o maior tratado comercial do planeta enquanto Paris tenta frear a história com tratores

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Presidente Lula durante reunião com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Hotel Borgo Egnazia, na região da Apúlia, na Itália - Foto: Ricardo Stuckert / PR

OS FATOS

  • União Europeia aprova, em Bruxelas, o acordo de livre comércio com o Mercosul, envolvendo 722 milhões de consumidores.
  • Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, prepara assinatura oficial em Assunção, no dia 12 de janeiro.
  • França, apoiada por Polônia, Irlanda e Hungria, lidera oposição sob pressão do setor agrícola.

A decisão foi tomada nesta sexta-feira (9) pelos embaixadores dos 27 Estados-membros da União Europeia. Após mais de duas décadas de negociações, o acordo UE–Mercosul rompe o imobilismo e avança mesmo sob protestos barulhentos de setores que tentam congelar o comércio global no século passado.

A confirmação formal pelos governos nacionais deve ocorrer nas próximas horas, mas o sinal político já foi dado: o pacto atravessou o Conselho da UE. Alemanha e Espanha foram decisivas para formar a maioria qualificada necessária, isolando a resistência francesa e abrindo caminho para a assinatura oficial no Paraguai.

O tratado elimina tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os blocos. A expectativa da própria Comissão Europeia é de um aumento de até 39% nas exportações europeias para o Mercosul e a criação de cerca de 440 mil empregos no continente europeu. Para o Sul Global, trata-se de acesso ampliado a mercados industriais e tecnológicos; para a Europa, uma resposta estratégica à disputa comercial com Estados Unidos e China.

Como em velhas narrativas mercantilistas do século XIX, a França tenta erguer muralhas tarifárias em nome da proteção agrícola, enquanto o restante do bloco percebe que soberania econômica não se constrói com isolamento. O gesto francês ecoa mais o medo da concorrência do que qualquer compromisso com integração equilibrada.

“O acordo avança porque a Europa sabe que não pode se fechar ao mundo em plena reconfiguração geopolítica.”

Por que a França lidera a resistência?

Porque seu setor agrícola teme a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos. O protesto com tratores em Paris é menos sobre segurança alimentar e mais sobre preservação de privilégios históricos.

O acordo ainda pode ser barrado?

Tecnicamente, sim. O Parlamento Europeu precisa ratificar o texto até abril. Oposição promete manobras regimentais e até recurso ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar a implementação por anos — mas não reverter o sentido político do acordo.

O que muda para o Mercosul?

Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai ganham acesso ampliado ao mercado europeu para produtos agrícolas, minerais e industriais. Em 2024, o comércio entre os blocos já alcançou € 111 bilhões, revelando que o acordo formaliza uma interdependência que já existe.


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Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.