OS FATOS
- União Europeia aprova, em Bruxelas, o acordo de livre comércio com o Mercosul, envolvendo 722 milhões de consumidores.
- Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, prepara assinatura oficial em Assunção, no dia 12 de janeiro.
- França, apoiada por Polônia, Irlanda e Hungria, lidera oposição sob pressão do setor agrícola.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira (9) pelos embaixadores dos 27 Estados-membros da União Europeia. Após mais de duas décadas de negociações, o acordo UE–Mercosul rompe o imobilismo e avança mesmo sob protestos barulhentos de setores que tentam congelar o comércio global no século passado.
A confirmação formal pelos governos nacionais deve ocorrer nas próximas horas, mas o sinal político já foi dado: o pacto atravessou o Conselho da UE. Alemanha e Espanha foram decisivas para formar a maioria qualificada necessária, isolando a resistência francesa e abrindo caminho para a assinatura oficial no Paraguai.
O tratado elimina tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os blocos. A expectativa da própria Comissão Europeia é de um aumento de até 39% nas exportações europeias para o Mercosul e a criação de cerca de 440 mil empregos no continente europeu. Para o Sul Global, trata-se de acesso ampliado a mercados industriais e tecnológicos; para a Europa, uma resposta estratégica à disputa comercial com Estados Unidos e China.
Como em velhas narrativas mercantilistas do século XIX, a França tenta erguer muralhas tarifárias em nome da proteção agrícola, enquanto o restante do bloco percebe que soberania econômica não se constrói com isolamento. O gesto francês ecoa mais o medo da concorrência do que qualquer compromisso com integração equilibrada.
“O acordo avança porque a Europa sabe que não pode se fechar ao mundo em plena reconfiguração geopolítica.”
Por que a França lidera a resistência?
Porque seu setor agrícola teme a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos. O protesto com tratores em Paris é menos sobre segurança alimentar e mais sobre preservação de privilégios históricos.
O acordo ainda pode ser barrado?
Tecnicamente, sim. O Parlamento Europeu precisa ratificar o texto até abril. Oposição promete manobras regimentais e até recurso ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar a implementação por anos — mas não reverter o sentido político do acordo.
O que muda para o Mercosul?
Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai ganham acesso ampliado ao mercado europeu para produtos agrícolas, minerais e industriais. Em 2024, o comércio entre os blocos já alcançou € 111 bilhões, revelando que o acordo formaliza uma interdependência que já existe.
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