Zelenski diz que questão territorial será tratada em diálogo com Rússia
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou nesta sexta-feira (23) que a questão territorial será discutida nas conversas mediadas pelos Estados Unidos com a Rússia, previstas para ocorrer em Abu Dhabi até sábado. O tema inclui a situação da região de Donbas, ocupada por forças russas desde 2014 e intensificada após a invasão de 2022.
Zelenski ressaltou que a discussão envolverá as visões de Ucrânia, Rússia e Estados Unidos sobre o território ocupado por forças russas. O anúncio ocorre em meio a uma pressão internacional crescente por um acordo de paz, enquanto a Ucrânia enfrenta impactos severos nos ataques à infraestrutura durante o inverno, com cortes de energia, destruição de redes de abastecimento e prejuízos econômicos.
O Kremlin, por sua vez, reiterou que considera condição central a retirada das forças ucranianas do Donbas, reafirmando a postura rígida do governo russo e indicando limites claros às negociações. A posição foi reafirmada pelo porta-voz Dmitri Peskov, reduzindo o campo de possibilidade para qualquer acordo que não passe pela entrega de território.
O que Zelenski está realmente dizendo?
A declaração de Zelenski não é um “gesto de paz”, é uma formalização: o território está em negociação, e isso significa reconhecer que a guerra não será resolvida apenas no campo de batalha, mas no mapa. O que se discute, agora, é se a Ucrânia vai aceitar uma solução com perdas territoriais, ou se tentará manter o máximo possível de integridade territorial — enquanto a Rússia exige exatamente o oposto.
Interesse dos EUA: o que está por trás do “diálogo”
Os Estados Unidos atuam como mediadores, mas também como árbitros estratégicos. Ao colocar o tema territorial em mesa de negociação, os EUA validam implicitamente a existência de um “status quo” militar, e isso pode ser interpretado como uma tentativa de estabilizar a guerra sem vitória definitiva de nenhum lado.
A pergunta real: o que está em jogo em Donbas?
Donbas não é só um território. É um símbolo de legitimidade e controle estratégico. Para a Rússia, é uma prova de que a Ucrânia não pode ser reorganizada sem concessões. Para a Ucrânia, é uma linha vermelha que representa a integridade territorial. E para os EUA, é uma peça de barganha que mantém a guerra “gerenciável”.
| Métrica de Análise | Discurso Oficial | Realidade Factual |
|---|---|---|
| Objetivo da Negociação | “Paz duradoura” | Definir o novo mapa da Ucrânia sob pressão militar |
| Ponto Central do Debate | “Discussão ampla” | A entrega de território como moeda de troca |
| Limite Russo | “Negociação aberta” | Retirada ucraniana do Donbas como condição |
A hipocrisia diplomática exposta
A declaração de Zelenski parece um “avanço diplomático”, mas é uma resposta direta a uma realidade: a Ucrânia não tem força militar ou política para impor uma vitória total e precisa manter a guerra em um limbo controlável. Ao colocar Donbas em mesa, o governo ucraniano assume o risco de uma negociação que, na prática, reconhece uma perda territorial.
Por outro lado, a Rússia mantém uma postura rígida e explícita: qualquer acordo que não inclua a retirada ucraniana do Donbas é descartável. Isso revela o que sempre foi óbvio: a diplomacia existe, mas só como fachada para legitimar ganhos já consolidados no campo de batalha.
O papel dos EUA é central, mas contraditório: enquanto afirmam apoiar a Ucrânia, pressionam por uma solução que reduza o conflito a um problema gerenciável, sem exigir uma derrota completa da Rússia. Ou seja, a paz pode ser negociada, mas o preço pode ser a entrega de território. Essa é a “solução” que aparece quando o poder militar não decide mais sozinho.
Citações e Atribuições
- Zelenski: “A questão territorial será discutida nas conversas mediadas pelos Estados Unidos com a Rússia”.
- Kremlin (Dmitri Peskov): “A condição central é a retirada das forças ucranianas do Donbas”.
- Fonte oficial ucraniana: a declaração foi divulgada por meio de canais oficiais e confirmada por autoridades do governo.





