Libertação

Sahel rompe com França e desafia neocolonialismo

Mali, Burkina Faso e Níger abandonam Cedeao, expulsam tropas francesas e formam aliança soberana, reacendendo o pan-africanismo e confrontando o imperialismo europeu.

JR Vital - Diário Carioca
Por
JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
- Editor e analista geopolítico
Região separa o deserto do Saara das florestas tropicais da África subsaariana | Reprodução Instagram

Uma ruptura histórica no coração da África Ocidental

Brasília — Em um movimento que reverbera pelos corredores do poder global, Mali, Burkina Faso e Níger romperam com a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) e fundaram a Aliança dos Estados do Sahel (AES). Essa decisão marca uma virada na política africana, desafiando a influência francesa e buscando uma nova era de soberania regional.

A AES, estabelecida em setembro de 2023, surge como resposta à intervenção da Cedeao após o golpe no Níger. Os três países, agora liderados por juntas militares, veem a nova aliança como um passo em direção à autonomia e à resistência contra o neocolonialismo.

Em Burkina Faso, o capitão Ibrahim Traoré, de 37 anos, tornou-se uma figura central no renascimento do pan-africanismo. Inspirado por Thomas Sankara, Traoré promove uma política anti-imperialista, expulsando tropas francesas e buscando parcerias estratégicas com a Rússia.

No Níger, o general Abdourahamane Tchiani lidera o país desde 2023, após depor o presidente eleito Mohamed Bazoum. Tchiani foi empossado como presidente para um período de transição de cinco anos, sob uma nova carta constitucional que substitui a anterior.

Descolonização econômica e rejeição ao franco CFA

Uma das ações mais simbólicas desses governos foi o abandono do franco CFA, moeda herdada do período colonial francês. A rejeição ao franco CFA representa uma tentativa de romper com a dependência econômica da França e estabelecer políticas monetárias soberanas.

Além disso, os países têm nacionalizado recursos naturais e buscado diversificar suas parcerias internacionais, especialmente com nações como a Rússia, visando fortalecer suas economias e reduzir a influência ocidental.

Desafios internos e críticas internacionais

Apesar das intenções de autonomia, os governos enfrentam críticas por práticas autoritárias. Em Burkina Faso, por exemplo, há denúncias de repressão à imprensa e conscrição forçada de dissidentes. Financial Times

No Mali, a extensão do mandato de Goïta gerou protestos e preocupações sobre a consolidação do poder militar. No Níger, a dissolução de partidos políticos por Tchiani levanta questões sobre o futuro da democracia no país.

Senegal: uma exceção democrática?

Enquanto Mali, Burkina Faso e Níger seguem sob regimes militares, o Senegal apresenta um caminho diferente. Em 2024, Bassirou Diomaye Faye foi eleito presidente após eleições tumultuadas, marcadas por protestos e suspensão temporária do pleito.

Faye, associado ao partido de oposição PASTEF, representa uma esperança para a democracia na região, embora enfrente desafios significativos para implementar reformas e consolidar seu governo.Time


O Carioca esclarece

Quem são os líderes atuais desses países?

  • Mali: Assimi Goïta, no poder desde 2021, recentemente respaldado para permanecer como presidente por mais cinco anos.
  • Burkina Faso: Ibrahim Traoré, assumiu após golpe em 2022, promovendo políticas anti-imperialistas e parcerias com a Rússia.
  • Níger: Abdourahamane Tchiani, lidera desde 2023, com mandato de transição de cinco anos e dissolução de partidos políticos.

O que é a Aliança dos Estados do Sahel (AES)?

A AES é uma confederação formada por Mali, Burkina Faso e Níger, estabelecida em setembro de 2023, com o objetivo de promover a defesa mútua e a soberania regional, em resposta à intervenção da Cedeao.

Quais são as implicações dessas mudanças para a região?

As ações desses países desafiam a influência tradicional da França e de outras potências ocidentais na África Ocidental, podendo inspirar movimentos semelhantes em outras nações e alterar o equilíbrio geopolítico na região.

- Publicidade -
MARCADO:
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
Seguir:
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.