Pyongyang – Num planeta já saturado de ogivas, paranoias e delírios imperiais, Donald Trump decidiu mirar ainda mais alto: para o espaço. Seu novo plano, batizado com a modéstia típica de quem se acha um semideus, atende pelo nome de “Domo de Ouro” — um sistema de defesa antimísseis que, segundo a Coreia do Norte, pode transformar a órbita terrestre em uma trincheira radioativa.
O alerta veio com a contundência habitual do regime de Kim Jong-un, que classificou o projeto de US$ 175 bilhões como “o auge da presunção e arrogância americana”. Para Pyongyang, a iniciativa não só violaria tratados internacionais como jogaria gasolina em uma já crescente corrida armamentista nuclear e espacial.
O império contra-ataca (do alto da estratosfera)
O Domo de Ouro é o brinquedinho de guerra futurista que Trump promete entregar até o fim de seu mandato. O objetivo? Blindar os Estados Unidos contra ameaças “de nova geração”: mísseis balísticos, de cruzeiro e qualquer outra tecnologia que ouse desafiar o ego da Casa Branca.
Mas segundo o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte, o plano pode provocar consequências planetárias. A ameaça é direta: o espaço sideral deixaria de ser um território de cooperação científica para virar mais um palco de disputa nuclear.
“Transformar o espaço em campo de batalha é uma loucura geopolítica que só beneficia quem lucra com o medo”, afirmou o regime em comunicado via mídia estatal.
China e Rússia também reagem: “Projeto profundamente desestabilizador”
Não foi só Pyongyang que viu no Domo de Ouro um risco iminente. A China declarou estar “seriamente preocupada” com as “implicações ofensivas” do projeto. Já a diplomacia russa, na voz de Maria Zakharova, foi além: “minar a estabilidade estratégica global” é o que esse sistema representa.
No início de maio, Vladimir Putin e Xi Jinping já haviam assinado uma declaração conjunta condenando o plano americano. A dupla autocrática, apesar de seus próprios arsenais nucleares, parece ter encontrado no expansionismo orbital dos EUA uma ameaça comum — e uma justificativa conveniente para ampliar suas próprias defesas.
Trump, Putin e a velha obsessão pelo apocalipse
A cereja tóxica no bolo geopolítico veio na sequência. Em outra frente de tensão, Trump voltou a mirar Putin, acusando-o de “brincar com fogo” ao intensificar os bombardeios na guerra na Ucrânia. A resposta do Kremlin, claro, não tardou.
Dmitry Medvedev, o falcão de retórica do Conselho de Segurança da Rússia, alertou que o risco de Terceira Guerra Mundial é real. A escalada verbal entre potências nucleares tornou-se rotina em 2025 — uma roleta russa discursiva em que cada nova bravata aproxima o gatilho do colapso.
Do solo à estratosfera: a militarização planetária em curso
O Domo de Ouro é só mais um capítulo da novela armamentista do século XXI. Mas sua dimensão cósmica revela o grau de delírio tecnomilitar da atual geopolítica. O que antes era ficção científica virou estratégia de Estado. E as fronteiras entre soberania, paranoia e supremacia tecnológica já não existem.
Para os países do Sul Global — sempre no papel de alvos ou espectadores —, o alerta de Pyongyang, por mais dissonante que pareça, ressoa como denúncia legítima: a militarização do espaço é o novo colonialismo. E, desta vez, com risco nuclear.
O Carioca esclarece
O que é o Domo de Ouro proposto por Trump?
É um sistema de defesa antimísseis orçado em US$ 175 bilhões, com ambição de neutralizar ameaças aéreas de última geração a partir do espaço.
Por que a Coreia do Norte, China e Rússia criticaram o projeto?
Porque consideram a iniciativa desestabilizadora e provocadora, com risco de iniciar uma nova corrida armamentista nuclear e espacial.
Quais as consequências desse projeto para o mundo?
Acelera a militarização do espaço, enfraquece tratados internacionais e ameaça a estabilidade estratégica entre potências nucleares.
Como isso afeta a democracia e a segurança global?
Ao priorizar soluções militares ultratecnológicas em detrimento do diálogo, amplia o autoritarismo e coloca o planeta sob a lógica do confronto bélico permanente.
