Erdogan reage: ‘Não aceitaremos novo Sykes-Picot desenhado em sangue’

Presidente da Turquia denuncia ofensiva israelense, pede união do mundo islâmico e endurece contra EUA e Israel na cúpula da OCI.

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
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Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Recep Tayyip Erdogan

Istambul, 21 de junho de 2025 – O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, lançou um duro alerta ao mundo durante a 51ª sessão da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), neste sábado, em Istambul. Em tom de absoluta indignação, Erdogan acusou as potências ocidentais de conduzirem um novo plano imperialista para redesenhar o mapa do Oriente Médio à base de “fronteiras desenhadas em sangue”.

O presidente turco afirmou que seu país “não permitirá uma nova ordem Sykes-Picot na região”, em referência direta ao pacto colonial firmado durante a Primeira Guerra Mundial, que impôs fronteiras artificiais, ignorando povos e culturas locais.

Erdogan convoca o mundo islâmico contra Israel e o Ocidente

Diante de chanceleres e autoridades de dezenas de países, Erdogan endureceu seu discurso contra a ofensiva israelense em curso e contra a conivência das potências ocidentais, especialmente dos Estados Unidos. Segundo ele, os ataques promovidos por Israel não são apenas contra o Irã, mas parte de uma estratégia mais ampla para fragmentar, enfraquecer e subjugar o Oriente Médio.

“O cerco genocida imposto à Faixa de Gaza, há mais de 21 meses, não é diferente dos piores crimes da história da humanidade. Não ficaremos calados. Dois milhões de irmãos e irmãs lutam diariamente pela vida sob uma opressão brutal”, afirmou o líder turco, visivelmente exaltado.

A memória do colonialismo reaparece no Oriente Médio

Ao citar o Acordo Sykes-Picot, Erdogan resgatou um dos episódios mais simbólicos da história colonial. O pacto, assinado em 1916 entre Reino Unido e França, com o aval do Império Russo, partilhou arbitrariamente os territórios do antigo Império Otomano, dando origem a fronteiras artificiais que até hoje alimentam conflitos e instabilidade na região.

O acordo desenhou linhas geopolíticas que favoreceram interesses europeus, ignorando completamente a autodeterminação dos povos árabes, curdos, persas e de outras etnias do Oriente Médio. Erdogan fez questão de frisar que esse modelo de dominação não será mais tolerado.

Irã, Síria e Turquia ampliam alinhamento

O discurso de Erdogan veio na esteira de uma nova crise militar. Após os recentes ataques a instalações nucleares iranianas, atribuídos a Israel, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, desembarcou em Istambul para exigir uma resposta contundente da OCI.

Araghchi classificou o bombardeio como “crime de guerra” e uma violação direta do direito internacional. Segundo ele, a ação israelense não ameaça apenas o Irã, mas toda a estabilidade regional. “O Irã responderá no momento e da forma que considerar necessária, dentro de seu direito legítimo à autodefesa”, declarou.

A reação imediata foi a convocação de uma sessão de emergência, que resultou em uma declaração conjunta dos países islâmicos, condenando os ataques e exigindo o fim imediato de qualquer ação militar contra instalações nucleares na região.

A bomba nuclear de Israel no centro do debate

O documento aprovado na cúpula da OCI também voltou a cobrar a criação de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio, além de responsabilizar diretamente Israel, que nunca assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), mas mantém um arsenal atômico não declarado.

Erdogan, o Irã e aliados como Síria e Catar reforçaram que a continuidade do conflito e a escalada militar colocam em risco não só a segurança do Oriente Médio, mas também a economia global e a estabilidade internacional.

União contra o neocolonialismo

A mensagem do presidente da Turquia foi direta: “Se o mundo islâmico não se unir agora, o preço será pago com sangue, destruição e perda de soberania”.

O encontro em Istambul sinaliza uma nova fase de alinhamento entre nações que, historicamente, tiveram relações tensas, como Irã, Turquia e Síria, agora unidas pela percepção de um inimigo comum: a política intervencionista de Israel, dos Estados Unidos e de seus aliados.


O Carioca Esclarece

O Acordo Sykes-Picot, de 1916, foi um pacto secreto entre potências coloniais europeias que redesenhou artificialmente o mapa do Oriente Médio. Erdogan utiliza essa referência para denunciar o que vê como uma nova tentativa de imposição de fronteiras e dominação estrangeira na região.


Perguntas Frequentes (FAQ)

O que Erdogan quis dizer com ‘novo Sykes-Picot’?
Ele denuncia que potências ocidentais tentam redesenhar o Oriente Médio à força, como fizeram no acordo colonial de 1916.

Por que a OCI condenou Israel?
A Organização para a Cooperação Islâmica condenou os ataques israelenses a instalações nucleares iranianas e exige respeito às leis internacionais.

Israel tem armas nucleares?
Sim. Israel mantém um arsenal nuclear não declarado e não é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), o que gera críticas constantes da comunidade internacional.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.