“Reféns da guerra”: países do Golfo temem colapso após ataques ao Irã

Arábia Saudita, Catar e Emirados condenam bombardeios dos EUA e alertam para risco de catástrofe nuclear
Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos 15/05/2025/O presidente Donald Trump visita a Grande Mesquita Sheikh Zayed - Foto: Daniel Torok
Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos 15/05/2025/O presidente Donald Trump visita a Grande Mesquita Sheikh Zayed - Foto: Daniel Torok
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Doha, 22 de junho de 2025 — A ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos contra instalações nucleares no Irã provocou reação imediata e alarmada das monarquias do Golfo Pérsico. Arábia Saudita, Catar, Omã e Emirados Árabes Unidos denunciaram o ataque como uma violação grave da soberania iraniana e alertaram para o risco de uma catástrofe regional incontrolável.

Em nota oficial, os governos da região classificaram a operação como uma ameaça direta à estabilidade do Oriente Médio, além de alertarem para as possíveis consequências econômicas e humanitárias globais.

Escalada fora de controle

O governo da Arábia Saudita repudiou os bombardeios, destacando que a ação viola princípios básicos do direito internacional. O Catar manifestou preocupação com possíveis “consequências devastadoras”, enquanto Omã condenou a operação como “ilegal”.

Para essas nações, que vinham tentando mediar as tensões entre Washington e Teerã, os bombardeios representam uma ruptura completa com os esforços diplomáticos e ampliam o risco de um conflito generalizado.

Populações em pânico e voos cancelados

O clima de apreensão tomou conta das capitais do Golfo. Kuwait, Dubai e Doha registraram corrida aos mercados e farmácias, com moradores estocando alimentos, água e remédios. Companhias aéreas internacionais suspenderam voos para diversos destinos na região, sinalizando a percepção global de que a situação pode se agravar rapidamente.

Enquanto isso, cresce o temor de que a escalada atinja não só os envolvidos diretamente, mas também as nações vizinhas — muitas delas com infraestrutura energética altamente vulnerável e bases militares estrangeiras.

Diplomacia ignorada

Apesar dos apelos insistentes das monarquias do Golfo para uma solução diplomática, os governos dos Estados Unidos, Israel e Irã seguem ignorando as tentativas de mediação.

O isolamento diplomático dos países do Golfo nesse conflito é visto como um sinal preocupante da marginalização de atores regionais, que, mesmo impactados diretamente, estão fora da mesa de decisões das grandes potências envolvidas.

Risco nuclear e desastre ambiental

A ofensiva contra instalações nucleares iranianas é considerada, por especialistas em segurança e meio ambiente, uma das maiores ameaças recentes à estabilidade global. Caso tenha ocorrido vazamento radioativo, os impactos podem se espalhar além do Irã, afetando diretamente Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Omã e toda a região do Golfo.

O Diário Carioca destaca que a dependência econômica dessas nações do setor petrolífero e do transporte marítimo torna a situação ainda mais delicada, especialmente diante da possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz, responsável pelo escoamento de cerca de 25% do petróleo mundial.

Medo de retaliação e efeito dominó

O risco imediato é o de uma retaliação em cadeia. Grupos aliados ao Irã, como as milícias houthis no Iêmen, já ameaçam atacar navios norte-americanos no Mar Vermelho, enquanto cresce o temor de que o conflito se expanda para territórios do Golfo.

Ao mesmo tempo, há preocupação com o que pode ocorrer caso o regime iraniano entre em colapso. As memórias das guerras sectárias no Iraque, na Síria e na Líbia alimentam o receio de que o vácuo de poder gere instabilidade, terrorismo e crises humanitárias em larga escala.

Xadrez geopolítico e impotência estratégica

Apesar de seus enormes recursos econômicos e importância geopolítica, os países do Golfo se veem como “reféns” de uma disputa que não controlam. A necessidade de manter alianças estratégicas com os Estados Unidos colide com o interesse vital de evitar que a guerra se espalhe por seus próprios territórios.

O cenário exige desses governos um equilíbrio frágil: fortalecer suas defesas internas sem romper com Washington, enquanto tentam, desesperadamente, manter aberta qualquer possibilidade de diálogo com o Irã.

Consequências globais

Se a crise se agravar, especialistas apontam que o preço do barril de petróleo pode disparar acima de US$ 130, aprofundando as pressões sobre uma economia mundial já fragilizada por outros conflitos e crises climáticas.

A ameaça não se limita à região. O colapso do Irã ou um desastre nuclear pode gerar impactos irreversíveis na saúde pública, na economia e na segurança internacional.


O Carioca Esclarece

O Estreito de Ormuz, que separa o Irã dos Emirados Árabes Unidos e Omã, é a rota por onde passa cerca de 25% do petróleo mundial. Seu fechamento teria impacto catastrófico na economia global.


FAQ

Por que os países do Golfo condenaram os ataques dos EUA ao Irã?
Porque consideram uma violação da soberania iraniana e uma ameaça direta à estabilidade da região, além de temerem desdobramentos catastróficos.

Existe risco real de desastre nuclear?
Sim. Bombardeios em instalações nucleares podem provocar vazamentos radioativos, afetando milhões de pessoas e causando danos ambientais de larga escala.

O que pode acontecer se o Estreito de Ormuz for fechado?
O comércio global de petróleo entraria em colapso, o preço do barril poderia disparar, e haveria uma crise econômica mundial, com impactos diretos no Brasil e no planeta inteiro.


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