Santiago, 20 de julho de 2025 — Em meio às ameaças abertas de Donald Trump à soberania brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja ao Chile para participar, nesta segunda-feira (21), de reunião internacional sobre defesa da democracia.
Pressão externa, resposta sul-americana
A agenda no Chile já estava confirmada, mas ganhou peso político com a escalada agressiva dos Estados Unidos contra o Brasil. O encontro, convocado pelo presidente Gabriel Boric, reunirá lideranças da América do Sul e da Espanha para uma conversa reservada sobre democracia, soberania e os riscos do autoritarismo global.
Confirmaram presença os presidentes Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai) e Pedro Sánchez (Espanha). O formato inclui uma reunião a portas fechadas entre os chefes de Estado, almoço diplomático e diálogo com setores da sociedade civil, universidades e centros de pesquisa.
A ofensiva de Trump contra o STF e a autonomia brasileira deve permear todas as conversas — ainda que não esteja na pauta oficial.
Soberania sob ataque direto
Nas últimas semanas, o governo norte-americano aumentou a pressão sobre o Brasil de forma explícita. A imposição unilateral de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, sob o pretexto de interferir no julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, foi classificada como chantagem diplomática.
A retaliação incluiu, ainda, ataques à operação do Pix — definido pelo governo Trump como “prática comercial desleal” — e a revogação dos vistos diplomáticos do ministro Alexandre de Moraes, seus familiares e integrantes do Supremo Tribunal Federal.
A intenção é clara: intimidar, intervir e pautar decisões soberanas a partir de interesses externos.
Agenda comum, resposta plural
O encontro em Santiago terá três eixos centrais: defesa da democracia e do multilateralismo, enfrentamento das desigualdades e o uso de tecnologias digitais no combate à desinformação. A iniciativa retoma a articulação lançada em setembro de 2024, à margem da Assembleia Geral da ONU, por Lula e Pedro Sánchez.
A nova edição da cúpula já está prevista para setembro de 2025, novamente durante a semana de alto nível das Nações Unidas, em Nova York. Até lá, os sinais do presente impõem urgência: a América do Sul precisa reagir com firmeza a toda tentativa de tutela imperial — seja econômica, tecnológica ou política.
A reunião desta segunda será, antes de tudo, um gesto de resistência.
Perguntas e Respostas
O que Lula fará no Chile?
Participará, em Santiago, de reunião de alto nível sobre democracia com chefes de Estado e lideranças civis.
A reunião é uma resposta aos EUA?
Não oficialmente. Mas os recentes ataques de Trump ao Brasil estarão no centro dos debates.
Quem mais participará do encontro?
Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia), Pedro Sánchez (Espanha) e Yamandú Orsi (Uruguai).
Qual a pauta do encontro?
Democracia, desigualdade e combate à desinformação — com foco em soberania e cooperação internacional.
Haverá nova reunião ainda este ano?
Sim. A próxima edição está prevista para setembro, em Nova York, durante a Assembleia da ONU.

