Lula assina manifesto com líderes contra avanço autoritário

Documento internacional cobra democracia, combate à desigualdade e reage a tarifas de Trump sem citá-lo diretamente
Lula assina manifesto com líderes contra avanço autoritário
Presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Gabriel Boric (Chile), Pedro Sánchez (Espanha) e Gustavo Petro (Colômbia) – Foto: Ricardo Stuckert
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Santiago, 21 de julho de 2025 — O presidente Lula assinou um manifesto internacional ao lado de líderes latino-americanos e europeus em resposta à escalada autoritária e às tarifas unilaterais impostas por Donald Trump contra o Brasil.

A resposta ao tarifácio veio em forma de aliança política. No mesmo fim de semana em que Donald Trump anunciou a taxação de 50% sobre produtos brasileiros, Lula uniu-se a Gabriel Boric (Chile), Pedro Sánchez (Espanha), Yamandú Orsi (Uruguai) e Gustavo Petro (Colômbia) em um manifesto pela democracia, publicado na véspera da reunião “Democracia Sempre”, realizada em Santiago.

O texto não menciona o republicano explicitamente. Mas a crítica está cravada em cada linha: contra discursos extremistas, desinformação digital, ataques às instituições e aumento das desigualdades — pilares do projeto trumpista. Ao lado de presidentes progressistas da América Latina e da Europa, Lula reafirma um compromisso transnacional por um pacto democrático que recuse a ascensão reacionária em curso.

A articulação entre Brasil e Espanha começou ainda na Assembleia Geral da ONU em 2023. De lá pra cá, ganhou força diante da radicalização de regimes conservadores e da ofensiva neoliberal que criminaliza a justiça social. O manifesto reforça esse eixo político e se coloca como contraponto ao isolamento reacionário promovido por Trump nos EUA e Javier Milei na Argentina.

A movimentação do Planalto busca consolidar Lula como um polo de liderança na resistência democrática internacional — sobretudo diante de um cenário de tensão direta com Washington. As tarifas unilaterais, anunciadas como “proteção à indústria norte-americana”, atingem em cheio setores estratégicos da economia brasileira e aprofundam a crise diplomática.

No texto assinado por cinco chefes de Estado, há recados claros. Rejeição ao autoritarismo. Defesa da soberania popular. Combate à desinformação alimentada por big techs e redes digitais capturadas por interesses extremistas. Fortalecimento das instituições democráticas a partir de reformas estruturais que priorizem direitos humanos, igualdade social e desenvolvimento sustentável.

O documento ainda valoriza o papel da sociedade civil como eixo de sustentação democrática e chama atenção para os efeitos da polarização incentivada por algoritmos — tema que o governo Lula já vinha tensionando no embate com plataformas digitais. Não é uma nota de boas intenções: é um alerta político com coordenadas geográficas bem definidas.

A reunião de cúpula em Santiago, nesta segunda-feira, reúne lideranças sociais, intelectuais e chefes de Estado. O encontro sinaliza a construção de uma frente democrática internacional com base no Sul Global, contra o ressurgimento das direitas autoritárias e militaristas. O Brasil, mais uma vez, escolhe um lado — e não é o da neutralidade oportunista.

Perguntas e Respostas

Quem assinou o manifesto internacional com Lula?
Gabriel Boric (Chile), Pedro Sánchez (Espanha), Yamandú Orsi (Uruguai) e Gustavo Petro (Colômbia), além do presidente Lula.

O que motivou a publicação do documento?
A escalada autoritária global e, especialmente, o anúncio de Trump de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

O manifesto cita Trump diretamente?
Não, mas critica ações como desinformação digital, autoritarismo e políticas econômicas excludentes — marcas do trumpismo.

Qual é o objetivo da articulação internacional?
Fortalecer a defesa democrática, propor reformas sociais e se contrapor a governos reacionários e políticas discriminatórias.

O que está sendo discutido na reunião no Chile?
A criação de uma frente democrática internacional com participação de governos, sociedade civil e intelectuais.

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