Londres — 29 de julho de 2025 — O governo do Reino Unido anunciou que poderá reconhecer o Estado Palestino em setembro, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), caso Israel não assuma compromissos concretos com a paz. A informação foi confirmada pelo gabinete do primeiro-ministro Keir Starmer. A medida segue o exemplo da França, que também confirmou o reconhecimento da Palestina e foi duramente criticada por autoridades israelenses.
Condições impostas pelo Reino Unido a Israel
O governo britânico estabeleceu quatro exigências principais a serem cumpridas por Israel para que o reconhecimento do Estado Palestino não ocorra:
- Adotar medidas concretas para encerrar a crise humanitária na Faixa de Gaza;
- Chegar a um acordo de cessar-fogo com o grupo Hamas;
- Recuar de qualquer tentativa de anexação da Cisjordânia;
- Assumir compromisso com a solução de dois Estados.
Segundo o comunicado oficial, as condições são consideradas de difícil aceitação por parte de Israel, que tem adotado postura contrária a essas medidas. Em julho, o Parlamento de Israel aprovou moção a favor da soberania israelense sobre a Cisjordânia, contrariando o princípio da divisão territorial.
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Macron confirma reconhecimento da Palestina e sofre críticas
Na semana anterior, o presidente da França, Emmanuel Macron, informou que também reconhecerá oficialmente o Estado Palestino em setembro, durante a mesma Assembleia da ONU. A decisão foi divulgada nas redes sociais e formalizada por meio de carta enviada ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.
Macron declarou que a medida busca reforçar o compromisso da França com uma “paz justa e duradoura no Oriente Médio”. A iniciativa, no entanto, gerou forte reação internacional. O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, afirmou que a decisão francesa “não tem peso algum”. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou Macron como “irresponsável”.
O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, também criticou o gesto, acusando a França de “recompensar o terror” e “fortalecer a influência iraniana” na região.
Israel reage e acusa Reino Unido de premiar o Hamas
Em resposta ao anúncio britânico, o governo de Israel divulgou nota oficial condenando a possível decisão do Reino Unido, que, segundo o comunicado, representaria uma “recompensa ao grupo terrorista Hamas”.
O gabinete de Keir Starmer esclareceu que, apesar das condições impostas a Israel, também existem exigências em relação ao Hamas: libertação imediata dos reféns israelenses, cessar-fogo imediato, abandono do controle de Gaza e desarmamento completo.
Contexto do conflito e adesão internacional
O atual conflito em Gaza teve início em 7 de outubro de 2023, após ataque do Hamas que resultou na morte de mais de 1.200 israelenses e no sequestro de aproximadamente 250 pessoas. Desde então, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas e com dados reconhecidos pela ONU, mais de 60 mil palestinos foram mortos, a maioria mulheres e crianças.
Até julho de 2025, 146 países reconhecem oficialmente o Estado Palestino, incluindo o Brasil. Antes das iniciativas do Reino Unido e França, os últimos reconhecimentos ocorreram por parte de Espanha, Noruega e Irlanda, em 2024.
Entenda as críticas de Benjamin Netanyahu sobre o reconhecimento da Palestina
Por que o premiê de Israel rejeita o reconhecimento do Estado Palestino?
Benjamin Netanyahu considera que um Estado Palestino independente representaria uma ameaça à segurança de Israel. Em declarações recentes na Casa Branca, ele afirmou que tal Estado seria “uma plataforma para destruir Israel”.
Como Israel reagiu ao anúncio do Reino Unido?
O governo israelense classificou a medida como uma “recompensa ao Hamas” e reafirmou seu compromisso com a aplicação da soberania sobre a Cisjordânia, contrariando o princípio da solução de dois Estados.
O que incomodou Israel na posição da França?
A decisão francesa foi interpretada como um incentivo a ações extremistas. Segundo Netanyahu, a França “recompensa o terror” e “estimula o avanço da influência do Irã na região”.
Quais são as exigências feitas ao Hamas?
O Reino Unido condiciona qualquer avanço diplomático à libertação dos reféns israelenses, ao cessar-fogo imediato, ao fim do controle do Hamas sobre Gaza e ao desarmamento do grupo.
Cresce a pressão sobre Israel e possíveis desdobramentos diplomáticos
O anúncio do Reino Unido aumenta a pressão sobre Israel, especialmente após a sinalização semelhante da França. A adesão de grandes potências ocidentais ao reconhecimento da Palestina poderá reconfigurar os debates sobre a legitimidade internacional do Estado Palestino e a viabilidade de uma solução de dois Estados.
Com isso, cresce o isolamento diplomático de Israel em organismos multilaterais como a ONU e eleva-se o risco de novas rupturas políticas no cenário do Oriente Médio.

