Londres, 4 de agosto de 2025 — O ativista de extrema direita Tommy Robinson, cujo nome verdadeiro é Stephen Yaxley-Lennon, foi preso na noite desta segunda-feira ao desembarcar no Aeroporto de Luton, vindo de Faro, Portugal, sob suspeita de agressão grave em um incidente ocorrido em 28 de julho na estação St Pancras, em Londres. As informações são do The Guardian
Detenção após retorno ao Reino Unido
De acordo com a Polícia de Transporte Britânica (BTP), Robinson foi preso por volta das 18h30, após ser identificado em um voo de chegada de Faro. A corporação afirmou em comunicado oficial que o ativista era “procurado para interrogatório” desde que deixou o país, horas após o incidente.
Segundo a investigação, Robinson deixou o Reino Unido rumo a Tenerife (Espanha) no dia seguinte à ocorrência. De lá, viajou para Portugal, de onde retornou nesta segunda-feira, sendo imediatamente detido pelas autoridades.
Homem ferido segue considerado vítima
O caso envolve a suposta agressão a um homem de 64 anos, que foi encontrado ferido no chão da estação. A vítima foi internada com ferimentos graves, mas sem risco de vida, e recebeu alta na quinta-feira (1º). A polícia informou que ele é tratado como vítima, não como suspeito.
Um vídeo publicado online mostra Robinson ao lado do homem caído, alegando que teria agido em legítima defesa. As imagens não registram o momento exato da agressão. Câmeras de segurança da estação também foram recuperadas e estão sendo analisadas por detetives.
Ativismo extremista e antecedentes
Stephen Yaxley-Lennon é ex-líder da English Defence League, organização de extrema direita no Reino Unido. Monitorado por grupos de combate ao extremismo, como o Hope Not Hate, ele é descrito como “o extremista de extrema direita mais conhecido da Grã-Bretanha”.
O ativista estava distribuindo panfletos na estação St Pancras antes do incidente, segundo registros. Ele agora está sob custódia e deve ser interrogado formalmente nas próximas horas.
Entenda as críticas contra Tommy Robinson por extremismo
Por que Tommy Robinson é considerado um extremista de direita?
Robinson liderou a Liga de Defesa Inglesa, conhecida por promover discursos xenofóbicos e confrontos públicos com grupos muçulmanos. Ele também já foi condenado por desacato à Justiça e incitação ao ódio.
Qual é a posição das autoridades britânicas sobre ele?
Robinson tem histórico de detenções e é monitorado por agências de segurança por seu envolvimento em episódios violentos e declarações públicas que alimentam tensões étnicas.
A prisão atual tem motivação política?
Não. A detenção foi feita com base em evidências de um crime físico — a suposta agressão em St Pancras — e a fuga do país. As alegações de motivação política são recorrentes entre apoiadores, mas sem respaldo institucional.
Ele pode ser solto ainda nesta semana?
Isso depende do andamento do interrogatório e das conclusões da investigação. Por ora, ele permanece sob custódia e será ouvido por detetives especializados em crimes violentos.
Quais são os desdobramentos possíveis?
Se indiciado, Robinson poderá responder por lesão corporal grave, crime que pode resultar em pena de prisão. O caso pode reacender debates sobre segurança em espaços públicos e discurso extremista.
Prisão expõe riscos de impunidade para extremistas
A detenção de Tommy Robinson reacende o debate sobre o uso político da violência por parte de grupos extremistas e a dificuldade das autoridades em conter figuras públicas que cruzam a linha entre discurso e ação direta. Sua prisão, longe de ser um episódio isolado, expõe o risco de que narrativas radicais encontrem brechas legais para se perpetuar sob o pretexto da liberdade de expressão. A resposta institucional ao caso será crucial para avaliar o real compromisso do Reino Unido no combate ao extremismo interno.

