Grande Ato

Bélgica reconhece Palestina e impõe sanções contra Israel

Governo de Maxime Prévot anunciou medidas inéditas e condicionou formalização ao fim da presença do Hamas na administração palestina.
📸: Escadaria Bueren em Liège, Bélgica.
Escadaria Bueren em Liège, Bélgica. - Foto: Reprodução
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O governo da Bélgica, por meio do ministro das Relações Exteriores Maxime Prévot, confirmou que o país vai reconhecer oficialmente o Estado da Palestina na Assembleia-Geral da ONU deste mês em Nova York. Ao mesmo tempo, anunciou um pacote de 12 sanções contra Israel, classificadas como “firmes” e de impacto direto sobre a política econômica e diplomática do governo de Benjamin Netanyahu.

Sanções inéditas contra Israel

Entre as medidas, estão a proibição de importações de produtos israelenses, revisão da política de compras públicas com empresas ligadas a Israel, restrições a sobrevoos e trânsito de embarcações, além da declaração de “persona non grata” para colonos judeus supremacistas e dois ministros israelenses de perfil extremista, identificados como Bezalel Smotrich (Finanças) e Itamar Ben Gvir (Segurança Nacional).

Segundo Prévot, o objetivo é “não punir o povo israelense, mas sim obrigar seu governo a respeitar o direito internacional e humanitário”. Ele afirmou que a medida é uma resposta à “tragédia humanitária em Gaza” e à “violência perpetrada por Israel em violação às normas internacionais”.

Condição para formalização completa

O ministro ressaltou que a formalização administrativa do reconhecimento ocorrerá apenas quando “o último refém for libertado e o Hamas não assumir mais a gestão da Palestina”. A decisão encerra semanas de disputa dentro da coalizão governista belga, composta por cinco partidos com visões divergentes sobre a política no Oriente Médio.

Prévot classificou a resolução como “gesto político e diplomático firme”, necessário para condenar “as intenções expansionistas de Israel, suas políticas de colonização e ocupações militares”.

Bélgica se soma à pressão internacional

Com a decisão, a Bélgica junta-se a países como França, Reino Unido e Austrália, que também avançaram no reconhecimento do Estado palestino nos últimos meses. A medida representa uma tentativa de forçar uma solução de dois Estados e reduzir o impasse provocado pelas ações militares israelenses.

Ao mesmo tempo, Prévot reconheceu “o trauma infligido ao povo israelense pelos ataques de 7 de outubro de 2023, perpetrados pelo Hamas”, mas reforçou que a via diplomática é o único caminho para encerrar décadas de violência.

Impacto geopolítico e regional

O anúncio belga aumenta o isolamento internacional de Netanyahu, que enfrenta críticas crescentes por violações de direitos humanos e pela continuidade da ofensiva militar em Gaza. A adoção de sanções econômicas e diplomáticas por países europeus sinaliza um enfraquecimento do apoio automático que Israel recebia em foros multilaterais.

A decisão pode abrir precedente para que outros membros da União Europeia avancem em medidas semelhantes, elevando o custo político da ocupação e fortalecendo a pauta palestina nas instâncias internacionais.

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