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China dá ultimato ao EUA: ‘Parem de violar a soberania e a segurança de outros países’

Pequim condena ataque à Venezuela, chama ação de hegemonista e alerta para risco sistêmico na América Latina.

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Foto de KLYONA

Quando Pequim abandona a diplomacia do silêncio e sobe o tom, o recado costuma ser calculado — e global. Foi o que ocorreu neste sábado, quando a China condenou de forma dura o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a ação direta contra Nicolás Maduro, enquadrando Washington por práticas hegemonistas e exigindo respeito à soberania de outros países.

O sermão que atravessa o Pacífico

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou estar “profundamente chocado” com o uso da força pelos Estados Unidos contra um Estado soberano. O texto não economiza termos: fala em violação flagrante do direito internacional, ameaça à paz regional e risco à segurança de toda a América Latina e do Caribe.

“Quando a força vira regra, o direito internacional vira rodapé.”

Multilateralismo como trincheira

A chancelaria chinesa fez um apelo direto aos Estados Unidos para que cumpram os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e cessem, nas palavras do comunicado, “as violações da soberania e da segurança de outros países”. Trata-se de um posicionamento que reforça a estratégia chinesa de se apresentar como defensora da legalidade internacional em contraste com a política de ação direta de Washington.

O discurso não é novo, mas ganha peso no contexto atual, em que Rússia, Irã, Cuba e países latino-americanos também reagiram com críticas à ofensiva americana. A diferença é que, vinda da China, a condenação carrega implicações geopolíticas mais amplas.

Um eco da velha ordem — e do novo mundo

Há um paralelo histórico inevitável. Durante a Guerra Fria, intervenções eram justificadas em nome da contenção ideológica. No século XXI, reaparecem embaladas por discursos de combate ao crime, ao terrorismo ou à “libertação”. Pequim, ao denunciar o caráter hegemonista da ação americana, tenta enquadrar o episódio como sintoma de uma ordem internacional em erosão — e, ao mesmo tempo, se posicionar como pilar alternativo dessa ordem.

A mensagem é clara: a crise venezuelana deixou de ser apenas regional. Ao violar soberania alheia sob aplausos seletivos, os Estados Unidos reacendem um debate que vai muito além de Caracas — sobre quem define as regras e quem paga quando elas são quebradas.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.