Soberania não se extradita

Lula apela à moderação de Trump e defende autodeterminação venezuelana após sequestro de Maduro

No Panamá, presidente brasileiro rechaça tutela externa e pede paciência à Casa Branca; enquanto Delcy Rodríguez assume comando interino sob tensão, Brasília tenta equilibrar a balança diplomática para evitar o caos regional.
Lula
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Por Vanessa Neves Vanessa Neves — Analista Política
Vanessa Neves
Vanessa Neves Analista Política
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

A diplomacia da “paciência estratégica” de Luiz Inácio Lula da Silva foi colocada à prova nesta terça-feira (27), em um cenário que flerta com o realismo fantástico da política latina.

Após a retirada forçada de Nicolás Maduro e sua transferência para os Estados Unidos — um movimento que o Itamaraty acompanha com lupa —, Lula utilizou sua passagem pelo Panamá para enviar um recado direto ao Salão Oval: a Venezuela não é um tabuleiro de xadrez para potências estrangeiras, mas o solo soberano de um povo que precisa decidir o próprio destino.

O fator Trump e a sombra da intervenção

A fala de Lula ocorre em um vácuo de poder perigoso. Donald Trump, fiel ao seu estilo de “força máxima”, ignora as sutilezas da autodeterminação, enquanto o presidente brasileiro tenta resgatar o princípio da não-intervenção.

“Não será o Brasil, não será os Estados Unidos, será a Venezuela”, sentenciou Lula, em uma tentativa clara de desescalar a narrativa de que o destino de Caracas deve ser selado em Washington durante a visita prevista para março.

Delcy Rodríguez: a interina na linha de frente

A interlocução brasileira agora se desloca para Delcy Rodríguez. Ao assumir o comando interino, a vice-presidente de Maduro torna-se o elo de estabilidade — ou de ruptura — em uma Venezuela ferida em seu brio institucional.

Lula, que pretende retomar as conversas com Delcy nos próximos dias, sinaliza que o reconhecimento da autoridade dela é fundamental para evitar que o vácuo de poder seja preenchido pela anarquia ou por uma junta militar imposta de fora.

A cúpula de Washington no horizonte

O encontro entre Lula e Trump, agendado para o início de março, deixa de ser uma visita de cortesia para se tornar uma cúpula de gerenciamento de crise. O Brasil, como líder regional natural, busca evitar que o precedente do sequestro de Maduro se torne a regra para a região.

Para o trabalhador brasileiro, essa instabilidade reflete diretamente no preço da energia e no fluxo migratório, tornando a “paciência” de Lula não apenas uma escolha retórica, mas uma necessidade econômica e social.

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