Há frases que atravessam fronteiras como projéteis. Quando o presidente dos Estados Unidos trata a hipótese de intervenção militar em outro país como algo que “soa bem”, o efeito não é retórico: é político. Na Colômbia, a resposta veio das ruas, convocadas pelo próprio chefe de Estado, num gesto raro que mistura institucionalidade e mobilização popular.
Da Doutrina Monroe às intervenções da Guerra Fria, a América Latina conhece o vocabulário da tutela armada. Gabriel García Márquez já descrevia, em tom quase profético, como o poder externo costuma falar da região com desprezo casual — e como esse desprezo produz resistência.
“Quando a ameaça vem de fora, a rua vira fronteira.”
A convocação e os atos
Manifestantes ocuparam vias centrais de cidades colombianas após chamado do presidente Gustavo Petro. O objetivo declarado foi rejeitar declarações de Donald Trump e denunciar tentativas de interferência estrangeira na soberania do país. Cartazes, palavras de ordem e bandeiras nacionais marcaram os atos.
As declarações de Trump
A mobilização foi desencadeada após Trump confirmar que considera uma intervenção militar na Colômbia. Em fala a bordo do Air Force One, o presidente americano afirmou que uma interferência no território colombiano “soa bem” e atacou pessoalmente Petro, sem apresentar evidências, associando-o ao narcotráfico.
Acusações sem provas
Desde 2025, a gestão Trump vem elevando o tom contra o governo colombiano. Em outubro, Washington anunciou a suspensão de pagamentos ao país e passou a acusar Petro de envolvimento com a produção e venda de cocaína aos EUA, alegações não acompanhadas de provas públicas.
Reação política e simbólica
Ao convocar os protestos, Petro buscou transformar a crise diplomática em demonstração de unidade interna. Prefeitos, movimentos sociais e organizações civis aderiram aos atos, que também funcionaram como recado regional: a retórica de intervenção encontra resistência popula

