OS FATOS
- Stephen Miller, ideólogo de Donald Trump, declarou na CNN que os EUA usarão o poder militar para garantir interesses econômicos “sem pedir desculpas”.
- A administração justifica a invasão da Venezuela como uma “recuperação” de recursos que supostamente pertenceriam aos americanos.
- Miller confirmou que a anexação da Groenlândia é agora a “posição oficial” do governo dos EUA, ignorando tratados da OTAN e a soberania da Dinamarca.
A máscara do “excepcionalismo americano” não apenas caiu; ela foi estraçalhada pelo coturno de uma administração que não mais disfarça sua face predatória. Em uma diatribe que evoca os capítulos mais sombrios do século XIX, Stephen Miller, o arquiteto intelectual do trumpismo, proclamou o fim da autodeterminação dos povos. Ao afirmar que os Estados Unidos têm o direito divino e militar de tomar o que desejam, Miller não apenas define o novo imperialismo; ele oficializa a barbárie como política de Estado. Como observou o senador Bernie Sanders, estamos assistindo ao retrocesso de 100 anos em tempo real, onde a força bruta substitui o direito internacional e o “quintal” de Washington se expande até onde houver petróleo ou minerais raros.
“Para a Casa Branca de Trump, a soberania é um luxo que termina onde começam as necessidades energéticas dos Estados Unidos. É a pirataria elevada ao status de diplomacia.”
A Anatomia do Saque: O Caso Venezuela e o Óleo “Roubado”
Miller foi explícito ao tratar a Venezuela não como um país, mas como um almoxarifado sob custódia indevida. Ao se recusar a discutir eleições ou a instalação da opositora María Corina Machado, o assessor deixou claro que o foco não é a democracia — nunca foi —, mas a posse das maiores reservas de petróleo do mundo. A retórica de que a Venezuela “roubou” petróleo dos EUA ao nacionalizar sua indústria em 1976 e 2007 é um revisionismo histórico cínico.
Na visão de Miller e do embaixador Michael Waltz, é “absurdo” que recursos vitais estejam sob o controle de “adversários”. Essa lógica anula qualquer tratado de Genebra ou Carta da ONU: se você tem o que os EUA querem e não é um aliado submisso, sua soberania é nula. A operação militar que sequestrou Nicolás Maduro e sua esposa é apresentada por Miller como um ato “inquestionável” de uma superpotência que se comporta como tal.
O Próximo Alvo: A Groenlândia e o Colapso da OTAN
Se a invasão da Venezuela foi o primeiro ato, a anexação da Groenlândia promete ser o epílogo da ordem internacional pós-guerra. Miller confirmou que a posse da ilha dinamarquesa é agora uma “posição formal” do governo americano. O interesse não é geográfico, mas geológico: as reservas intocadas de terras raras, essenciais para a tecnologia e a defesa modernas.
O desprezo de Miller pelas consequências diplomáticas é alarmante. Ao sugerir que “ninguém lutará militarmente contra os EUA pela Groenlândia”, ele desafia diretamente a Dinamarca e os fundamentos da OTAN. A resposta da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, foi um grito de alerta: se um membro fundador da OTAN ataca o território de outro, a maior aliança defensiva do mundo entra em colapso total. O trumpismo, em sua busca frenética por recursos, parece disposto a incendiar as alianças ocidentais para garantir o monopólio do Ártico.
O Sul Global Sob a Mira de uma Superpotência “Sem Desculpas”
A “Doutrina Miller” é um aviso de morte para o multilateralismo. Colômbia e México já foram citados em ameaças diretas de Trump, sugerindo que o mapa da América Latina pode ser redesenhado conforme a conveniência do Pentágono. Miller defende que os EUA não devem “pedir desculpas” por seus interesses, o que, na prática, significa que qualquer nação com recursos estratégicos — do nióbio brasileiro ao lítio boliviano — vive sob o risco de uma “estabilização” americana.
Enquanto Miller desenha mapas de conquista, a crítica interna nos EUA cresce. O congressista Seth Moulton classificou a fala como “genuinamente perturbada”, uma janela para uma mente que vê o mundo como um tabuleiro de pilhagem. Bernie Sanders foi além da crítica externa, lembrando que, enquanto Trump brinca de imperador na Venezuela, a população americana definha sob a inflação e a insegurança financeira. É a ironia suprema: uma superpotência que tenta “gerir” o mundo, mas fracassa em cuidar de sua própria gente.
Com Informações de Common Dreams

