Os Fatos
- O presidente Lula e o colombiano Gustavo Petro conversaram por telefone nesta quinta-feira (8), reafirmando que o ataque militar dos EUA em 3 de janeiro é uma violação flagrante da Carta da ONU e da soberania sul-americana.
- O Brasil confirmou o envio de uma primeira remessa de 40 toneladas de medicamentos e insumos (de um total de 300 toneladas) para recompor estoques de hemodiálise destruídos pelos mísseis americanos em Caracas.
- Ambos os mandatários saudaram a libertação unilateral de presos estrangeiros e venezuelanos anunciada pela Assembleia Nacional da Venezuela, vendo no gesto uma tentativa de “descompressão” e busca por paz.
Enquanto Donald Trump, do alto de sua arrogância imperial, proclama que sua “moral” é o único limite para invadir vizinhos e sequestrar presidentes, o Sul Global responde com o idioma da solidariedade e do Direito Internacional. A conversa entre Lula e Petro não foi apenas um protocolo diplomático, mas um ato de resistência contra a tentativa de transformar a América Latina em um tabuleiro de Banco Imobiliário para o Departamento de Estado americano. Bombardear centros logísticos de saúde e deixar 16 mil pacientes de diálise à beira da morte não é “trazer democracia”, é crime de guerra sob qualquer verniz retórico. Lula, ao enviar oxigênio e remédios, recorda ao mundo que a verdadeira liderança regional se constrói com cooperação, não com mísseis Tomahawk disparados por um mandatário que trata a Groenlândia e a Venezuela como propriedades a serem confiscadas.
A história é cíclica para os impérios, mas a memória das nações soberanas é longa. Substituir a diplomacia pelo sequestro de chefes de Estado é um retrocesso que nos atira de volta ao século XIX, mas com o agravante da tecnologia de destruição em massa.
Qual a dimensão da ajuda humanitária brasileira diante da destruição em Caracas? O bombardeio americano do último dia 3 não mirou apenas alvos militares; atingiu o coração do sistema público de saúde venezuelano. A destruição de centros de distribuição de medicamentos deixou milhares em risco iminente. A resposta brasileira, coordenada pelo ministro Alexandre Padilha, é cirúrgica: 40 toneladas iniciais focadas em hemodiálise. É uma resposta ética à barbárie. O Brasil reafirma seu papel de mediador humanitário, o mesmo que já enviou ajuda em momentos de crise respiratória em Manaus, provando que a fraternidade sanitária é a única “doutrina” que importa na fronteira norte.
Como a libertação de presos e a aliança Brasil-Colômbia afetam o plano de Trump? A libertação de presos anunciada por Jorge Rodríguez é um movimento tático para esvaziar a narrativa de “tirania absoluta” usada por Trump para justificar a ocupação e a futura exploração do petróleo venezuelano. Ao saudarem esse gesto, Lula e Petro isolam a agressividade de Washington e propõem uma saída negociada. O racha no Senado americano, que hoje aprovou uma resolução para limitar Trump, mostra que a resistência orquestrada pelo Brasil e seus vizinhos está surtindo efeito inclusive dentro do Capitólio. O Diário Carioca mantém sua vigília: não permitiremos que o “covil de ladrões” se instale em nosso quintal sob o manto de uma falsa libertação.
Expediente: 08/01/2026 – 23:15 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.

