Espectro Monárquico

O Crepúsculo de Teerã e a ressurreição por procuração dos Pahlavi

Reza Pahlavi convoca insurreição urbana e greves em setores estratégicos enquanto Teerã acusa interferência externa e mobiliza o aparato militar para contenção das massas.
Reza Pahlavi convoca ocupação urbana e greve no setor de petróleo no Irã. Análise sobre o retorno da influência monárquica e o papel do imperialismo no conflito.
Reza Pahlavi convoca ocupação urbana e greve no setor de petróleo no Irã. Análise sobre o retorno da influência monárquica e o papel do imperialismo no conflito.
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

OS FATOS:

  • Reza Pahlavi, herdeiro do trono deposto em 1979, exorta manifestantes a ocuparem centros urbanos e estabelecerem controle territorial permanente.
  • O chamado inclui a paralisação deliberada dos setores de petróleo, gás e energia para asfixiar a economia do regime teocrático.
  • O Exército da República Islâmica emitiu alerta de prontidão máxima, classificando os atos como insurgência coordenada por potências estrangeiras.

A Dialética do Trono e a Geopolítica da Energia

A história, como observou Marx, costuma se repetir: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. O movimento de Reza Pahlavi, exilado sob a custódia das conveniências de Washington, evoca o fantasma de 1953, quando a Operação Ajax — orquestrada pela CIA e pelo MI6 — extirpou Mohammad Mossadegh para restaurar o absolutismo favorável aos interesses petrolíferos ocidentais. Hoje, o apelo à “revolução nacional” soa como um eco das mesmas forças que historicamente viram no Irã não uma nação soberana, mas um posto de abastecimento estratégico.

A convocação para a greve nos setores de hidrocarbonetos não é um mero detalhe tático; é o reconhecimento de que o poder no Oriente Médio flui através dos dutos. Ao mirar o petróleo, Pahlavi toca no nervo exposto da soberania iraniana, tentando replicar o colapso logístico que precedeu a queda de seu pai, mas agora sob o patrocínio de uma ordem global que raramente oferece “democracia” sem exigir, em contrapartida, concessões de exploração mineral.

A Estrutura do Conflito e Forças em Embate

Ator PolíticoEstratégia DeclaradaBase de SustentaçãoObjetivo Final
Reza PahlaviInsurreição Urbana e GrevesDiáspora e Apoio OcidentalRestauração/Transição
Governo de TeerãRepressão e Proteção de AtivosGuardas da Revolução e ExércitoManutenção do Status Quo
ManifestantesOcupação de Espaços PúblicosJuventude e Setores UrbanosReformas ou Ruptura
Setor de EnergiaParalisação ProdutivaSindicatos e OperáriosAsfixia do Regime

Entre o Altar e a Coroa: O Impasse Persa

A retórica de Ali Khamenei, que classifica os dissidentes como “mercenários”, ignora a genuína exaustão de uma sociedade estrangulada por sanções e pelo rigorismo teocrático. Todavia, a figura de Pahlavi carrega consigo o peso do imperialismo que sustentou o regime de seu progenitor, marcado pela Savak e pela submissão aos interesses dos EUA. O paradoxo é cruel: a busca por liberdade interna é frequentemente sequestrada por agendas externas que visam desestabilizar o Irã para reconfigurar o mapa energético global.

A ameaça de retorno do “Príncipe Herdeiro” sugere um cenário de guerra civil ou de um governo de transição tutelado, o que, historicamente, raramente resulta em soberania plena para os povos da região. Enquanto as cidades iranianas se tornam palcos de um confronto sangrento, o que está em jogo é a definição de quem terá o direito de gerir as vastas reservas que o solo persa guarda.

A convocação de Pahlavi para a tomada dos centros das cidades pode ser considerada um prelúdio para uma intervenção estrangeira direta?

Embora o discurso seja emoldurado como uma “revolução nacional”, a logística de uma ocupação urbana prolongada e a paralisia do setor de petróleo frequentemente servem como pretexto jurídico-político para “intervenções humanitárias” ou apoio tático externo. Na gramática do realismo geopolítico, o enfraquecimento das estruturas de Estado é o estágio necessário para a imposição de governos alinhados ao Consenso de Washington, especialmente em nações detentoras de recursos estratégicos.

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